Ministério Público investiga Emha, após denúncias que apontam cobrança de valores indevidos e pressão contra moradores na Capital

0

Duas graves denúncias de corrupção passiva e improbidade administrativa colocam sob suspeita a conduta de servidores e ex-funcionários da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) em Campo Grande. Os relatos apontam para o direcionamento irregular de processos de regularização de imóveis em troca de vantagens financeiras e benefícios pessoais.

O primeiro caso, investigado pelo Ministério Público sob sigilo na 30ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, envolve o relato de Mônica Bezerra de Morais. Ela afirma que, ao tentar legalizar um terreno na Vila Ipiranga, foi pressionada por servidores a vender a área por um valor abaixo do mercado. Segundo a denúncia, funcionários teriam dificultado o processo regular sob a ameaça de demolição da residência, culminando na compra do imóvel em nome da irmã de um dos envolvidos. Posteriormente, o local teria sido colocado para locação em uma imobiliária ligada a um dos servidores citados.

O segundo registro aponta um esquema de cobrança direta de propina. O pedreiro Ademir Pereira do Nascimento procurou a polícia para denunciar que pagou 4 mil reais a um então assessor governamental da autarquia para agilizar a transferência de titularidade de um imóvel herdado de sua mãe. Após realizar os pagamentos, a vítima descobriu que o processo nunca saiu da estaca zero. O servidor envolvido, identificado como Alessandro Alves Ferreira, deixou o quadro da prefeitura em junho de 2024.

Em resposta aos episódios, a Prefeitura de Campo Grande informou que Alessandro já foi exonerado e não possui mais vínculo com a administração municipal. A nota oficial ressalta que os processos de regularização fundiária e programas habitacionais seguem critérios técnicos rígidos e fluxos administrativos transparentes, conduzidos por um comitê especializado, o que impediria a obtenção de vantagens indevidas.

A reportagem verificou que o terreno citado na primeira denúncia passa por reformas e abriga um galpão, sem identificação de proprietários. O Ministério Público confirmou que o inquérito para apurar o possível dano ao patrimônio público continua em andamento, buscando identificar todos os envolvidos nas supostas irregularidades.

.