A Justiça Federal decretou a prisão preventiva dos envolvidos no transporte de 744 quilos de cocaína, apreendidos em um ônibus na última sexta-feira (20), em Campo Grande. Ao fundamentar a decisão, o juiz Luiz Augusto Fiorentini Iamassaki, da 5ª Vara Federal, destacou a sofisticação da estrutura utilizada, que contava com câmeras de monitoramento eletrônico e uma antena Starlink para internet via satélite, elementos que apontam para a atuação de uma organização criminosa de grande porte.
O carregamento foi interceptado pela Polícia Federal no veículo que partiu de Corumbá com 30 passageiros bolivianos. Conforme o processo, a droga apresentava inscrições como a palavra “Bratva”, termo que remete à máfia russa. O magistrado salientou que o uso de compartimentos ocultos e a presença de passageiros que não souberam explicar o motivo ou o custeio da viagem evidenciam uma tentativa de dissimular o tráfico internacional sob a aparência de um transporte turístico comum.
A decisão converteu em preventivas as prisões de Anderson Vicente Batista e Eclyton Mycael Ferreira Lopes. O juiz pontuou que os acusados não comprovaram o exercício de atividades lícitas, o que gera o receio de reiteração criminosa, sugerindo que o tráfico de drogas seria utilizado como meio de vida e renda.
Além de manter a custódia dos suspeitos, a Justiça autorizou a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos e determinou a incineração imediata da carga de cocaína. O caso segue sob investigação para identificar outros membros da rede criminosa que coordenava a logística tecnológica e o transporte do entorpecente.