Ivan Miyazato, produtor de Michel Teló e Luan Santana, é investigado em fraude de R$ 52 bilhões

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O produtor musical Ivan Miyazato, que atua no cenário sertanejo de Mato Grosso do Sul e Goiás, está entre os 350 investigados da maior operação contra o crime organizado já realizada no Brasil. Todos são suspeitos de integrar um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, controlado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em oito estados.

Nas redes sociais, Miyazato aparece ao lado de grandes nomes da música sertaneja, como Michel Teló, Luan Santana, Maria Cecília & Rodolfo, Munhoz & Mariano, João Bosco & Vinicius e o Grupo Tradição. Em vídeos, costuma mostrar bastidores de shows, ensaios e até apresentações próprias, cantando e tocando instrumentos.

Em sua biografia profissional, o produtor se apresenta como vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Sertaneja em 2020. Em uma publicação recente, escreveu:

“Enquanto uns seguem fórmulas prontas, a gente constrói algo real. Aqui, quem vive a música de verdade tem espaço, voz e propósito.”

Esquema bilionário movimentou R$ 52 bilhões

De acordo com a investigação, o esquema utilizava mais de mil postos de combustíveis espalhados pelo país para movimentar recursos ilícitos. Entre 2020 e 2024, foram identificadas transações que somam R$ 52 bilhões.

A operação, deflagrada em Mato Grosso do Sul e mais sete estados (SP, ES, PR, MT, GO, RJ e SC), revelou que o dinheiro era recebido em espécie ou por maquininhas de cartão e, em seguida, transferido para contas ligadas ao PCC.

O relatório da Receita Federal aponta que a lavagem de dinheiro também ocorria por meio de fintechs e fundos de investimento multimercado e imobiliários. Uma dessas fintechs, que atuava como um verdadeiro “banco paralelo” da facção, movimentou sozinha R$ 46 bilhões em quatro anos.

Além disso, entre 2022 e 2023, foram registrados 10,9 mil depósitos em espécie, somando R$ 61 milhões, em operações consideradas atípicas.

Patrimônio milionário do esquema

Com os recursos ilícitos, a organização reinvestia em negócios e propriedades para dar aparência de legalidade ao patrimônio. Entre os bens identificados estão:

  • Quatro usinas produtoras de álcool;
  • Um terminal portuário;
  • 1.600 caminhões;
  • Mais de 100 imóveis, incluindo fazendas avaliadas em R$ 31 milhões;
  • Uma mansão em Trancoso (BA), adquirida por R$ 13 milhões.

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional já ingressou com ações de bloqueio de R$ 1 bilhão em bens, incluindo imóveis e veículos.

De acordo com a força-tarefa, a ação busca desarticular toda a cadeia de fraudes estruturada pelo PCC no setor de combustíveis.

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