O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) cumpriram, nesta terça-feira (9), 14 dos 16 mandados de prisão expedidos pela Justiça na Operação Spotless, deflagrada em Terenos e Campo Grande. Dois investigados seguem foragidos.
Entre os presos está o prefeito de Terenos, Henrique Wancura Budke (PSDB), apontado como líder da organização criminosa que teria desviado mais de R$ 15 milhões em contratos públicos fraudados. Outros nomes envolvidos incluem servidores, ex-secretários e empresários ligados ao setor da construção civil.
Ao todo, foram cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em residências, empresas, secretarias municipais e até na sede da prefeitura. As investigações revelaram um esquema apelidado de “farra das empresas convidadas”, no qual licitações eram direcionadas para beneficiar empreiteiras mediante pagamento de propina.
Segundo o Ministério Público, o grupo operava em núcleos distintos:
- Político-administrativo: servidores e gestores que manipulavam editais para simular concorrência.
- Empresarial: empreiteiros que criavam empresas de fachada e recebiam os contratos fraudulentos.
O Gaeco informou que nove dos presos já foram encaminhados ao presídio. Os demais passarão por audiência de custódia nesta quarta-feira (10), enquanto permanecem detidos na Cepol, em Campo Grande.
A Operação Spotless é um desdobramento da Operação Velatus, deflagrada em 2024, que já havia identificado irregularidades semelhantes em licitações de obras no município.
Empresas citadas no mandado de busca e apreensão
A decisão judicial expedida pelo desembargador Jairo Roberto de Quadros determinou diligências em 20 empreiteiras e construtoras investigadas:
- Arnaldo Santiago Ltda. – Campo Grande/MS
- Bonanza Comércio e Serviços Ltda. – Campo Grande/MS
- Conect Construções – Terenos/MS
- Tercam Construções Ltda. – Campo Grande/MS
- Construtora Kurose Ltda. – Terenos/MS
- Base Construtora e Logística – Terenos/MS
- HG Empreiteira & Negócios Ltda. – Terenos/MS
- Lopes Construtora e Empreiteira Ltda. – Terenos/MS
- Angico Construtora e Prestadora de Serviços Ltda. – Campo Grande/MS
- Construtora e Empreiteira Real – Terenos/MS
- D’aço Construção e Logística Ltda. – Terenos/MS
- Fortes Construtora Ltda. – Campo Grande/MS
- Agpower Engenharia e Construções Ltda. – Terenos/MS
- GS Serviços e Construtora Ltda. – Campo Grande/MS
- Construtora Queiroz Ltda. – Terenos/MS
- B2 Empreendimentos Ltda. – Campo Grande/MS
- Tecnika Construção e Locação de Equipamentos Ltda. – Campo Grande/MS
- Marsoft Informática, Construções e Serviços – Terenos/MS
- RS Construções e Serviço Ltda. – Terenos/MS
- Gomes & Azevedo Ltda. – Campo Grande/MS
Pessoas citadas na decisão judicial
A ordem também incluiu 32 alvos entre servidores e empresários, entre eles:
- Henrique Wancura Budke (prefeito de Terenos)
- Isaac Cardoso Bisneto (ex-secretário de Obras)
- Maicon Bezerra Nonato (secretário de Administração)
- Empresários: Arnaldo Santiago, Eduardo Schoier, Fernando Seiji Alves Kurose, Genilton da Silva Moreira, Nadia Mendoça Lopes, Sandro José Bortoloto, Sansão Inácio Rezende, Hander Luiz Corrêa Grote Chaves, entre outros.