A família do chefe do TCP (Terceiro Comando Puro), Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”, foi detida na segunda-feira (8) na BR-262, em Campo Grande, transportando joias que faziam menção a “Mano Abrão”, um nome adotado pelo líder do tráfico. Segundo o UOL, Álvaro adotou o nome em referência a “Arão”, personagem bíblico irmão de Moisés, e seus seguranças são chamados de “Tropa de Arão”.
Na Bíblia, Arão significa “o iluminado”, “o elevado” e é reconhecido por ter sido o primeiro sacerdote dos israelitas e porta-voz de Moisés.
Nos dois veículos abordados pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) e pela Polícia Civil, estavam a mulher de “Peixão”, os três filhos dela e um sobrinho. O grupo transportava uma fortuna em joias que seriam levadas para a Bolívia. A polícia recebeu informações de agentes do Rio de Janeiro de que “Peixão” poderia estar no comboio, mas o traficante não foi encontrado. Todos os detidos foram levados à Polícia Federal, onde prestaram esclarecimentos e foram liberados, devendo responder por lavagem de dinheiro e associação criminosa. O valor das joias transportadas não foi divulgado.
Investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), com apoio da Delegacia Antissequestro (DAS), da 22ª DP (Penha) e da 33ª DP (Realengo), revelaram que a organização criminosa é altamente estruturada e armada. Liderado por Álvaro Malaquias, conhecido por impor seu domínio com base no chamado fundamentalismo evangélico, o grupo atua nas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau, segundo a polícia.
A investigação aponta que, sob o comando direto de “Peixão”, o TCP promove intimidação sistemática de moradores, expulsão de rivais, ataques a agentes de segurança e ações coordenadas para impedir operações policiais. “Foi identificado um grupo responsável pelo monitoramento de viaturas, queima de ônibus e organização de protestos simulados com o objetivo de obstruir o trabalho policial. Foi apurada, ainda, a existência de um núcleo especializado na tentativa de abate de aeronaves policiais, composto por criminosos com armamento pesado e treinamento específico”, informou a Polícia Civil do Estado.
Além das prisões, a operação visa apreender armas de fogo, drogas, rádios comunicadores, aparelhos eletrônicos e outros materiais. A polícia acrescentou que “duas construções irregulares utilizadas pelos traficantes como abrigo e pontos estratégicos de ataque serão demolidas, conforme autorização judicial, como medida de desarticulação da estrutura defensiva da facção”.