Mais um ano se inicia e a promessa de abrir 5 mil vagas em Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs) em Campo Grande não foi cumprida pela prefeitura, deixando aproximadamente 8 mil crianças fora das unidades. A situação agrava-se com a demora na abertura de novas vagas, impactando diretamente as famílias, especialmente as mães que enfrentam dificuldades para encontrar emprego sem um local adequado para deixar seus filhos pequenos.
De acordo com dados do ano anterior da Secretaria Municipal de Educação (Semed), cerca de 9 mil crianças aguardavam por uma vaga nas EMEIs da capital. A previsão para o corrente ano é a oferta de 6.369 vagas, podendo esse número aumentar ao longo do ano, embora a secretaria não tenha indicado um prazo para a abertura de novas oportunidades.
Segundo a Semed, a construção de 166 novas salas em escolas da Rede Municipal de Ensino (Reme) está em andamento, gerando 6.600 novas vagas para a Educação Infantil. Entretanto, a falta de um cronograma claro para a conclusão dessas obras e a abertura efetiva das vagas gera incertezas.
O secretário municipal de Educação, Lucas Bittencourt, mencionou em novembro do ano passado que o problema seria parcialmente resolvido e que a parceria com a Rede Estadual de Educação (REE), que abriu mais de 25 mil vagas para o Ensino Fundamental, auxiliaria na diminuição do déficit. Contudo, a situação persiste.
Houve um descompasso entre as promessas do secretário e a realidade atual. Em novembro de 2023, Bittencourt afirmou que oito novas EMEIs seriam entregues em 2024, mas até agora apenas duas estão previstas. Isso impactaria significativamente no aumento do número de alunos da Reme e no total de escolas.
Famílias enfrentam dificuldades, como é o caso de Diana Maria Alves de 24 anos e mãe de uma menina de três anos, para a qual busca vaga. Diana nos contou que esperou esses tempo pra ficar com a filha, e fazia alguns trabalhos de artesanatos para ajudar no orçamento da família, mas esse ano que voltar a trabalhar em emprego fixo, A grande dificuldade está na falta de vagas em EMEIs.
A mãe Diana nos contou que foi várias vezes na Semed “Fui na Semed três vezes e disseram que ela iria para a lista de espera, falaram que ela estava em 122 em uma creche e 96 na frente. Fui no meio do ano novamente e disseram que eu tinha que aguardar. No fim do ano, fui novamente e disseram que a ficha que eu tinha feito não valia mais e eu teria que fazer outra. Fiz de novo e ainda não saiu”, lamenta a mãe.
“Não tenho com quem deixar minha filha, não sou daqui, e minha família mora no Maranhão, vim pra cá com meu marido, só posso contar com a creche pra deixar minha filha para poder trabalhar. Sempre explico isso lá na Semed, mas eles dizem que não podem fazer nada, que o jeito é aguardar“.
A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul já recebeu 410 solicitações de vagas nas EMEIs até esta terça-feira, conforme a coordenadora do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Nudeca), defensora pública Débora Maria de Souza Paulino.