Profissionais de enfermagem da Santa Casa de Campo Grande realizaram um protesto em frente ao hospital na manhã desta segunda-feira, 22 de dezembro. A categoria reivindica o pagamento imediato do décimo terceiro salário, que ainda não foi quitado pela instituição. Com faixas e cartazes, os trabalhadores manifestaram indignação contra a proposta da gestão de parcelar o benefício em três vezes, com vencimentos previstos para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2026.
O Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Siems) questiona a legalidade da medida proposta pelo hospital. A entidade argumenta que não existe respaldo jurídico para o escalonamento do décimo terceiro, que deveria ter sido pago integralmente até o dia 20 de dezembro. A gestão da Santa Casa condiciona o pagamento a um repasse de aproximadamente R$ 9 milhões, mas até o momento não houve solução para o impasse financeiro.
A crise trabalhista ocorre em meio a um cenário de colapso institucional na unidade, que é a maior a atender pelo SUS no estado. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ajuizou uma Ação Civil Pública para tentar frear o agravamento da situação, que inclui superlotação extrema, falta de insumos básicos e dívidas acumuladas com fornecedores e corpo clínico. O órgão aponta que o pronto-socorro opera muito acima da capacidade, agravado por uma reforma iniciada há dois anos que permanece inacabada por falta de planejamento financeiro.
Na ação, a 76ª Promotoria de Justiça destaca que pacientes aguardam atendimento em corredores e que há risco real de paralisação em serviços de alta complexidade devido ao desabastecimento de materiais cirúrgicos e medicamentos. Diante da gravidade, o MPMS exige que o Estado, o Município e a Associação Beneficente de Campo Grande apresentem, em até 90 dias, um plano emergencial para regularizar os estoques, reorganizar o fluxo de atendimento e garantir um cronograma para a retomada plena das atividades hospitalares.