Pela segunda vez nesta semana, Campo Grande enfrentou um apagão que deixou bairros inteiros sem energia elétrica. O mais recente, ocorrido na quarta-feira (5), interrompeu o funcionamento de comércios, escolas e serviços públicos, além de causar transtornos no trânsito e insegurança nas ruas. Para quem depende da energia para trabalhar, foi mais um dia de improviso e paciência diante da instabilidade do fornecimento.
Sem internet, sistemas ou comunicação, comerciantes voltaram a usar papel e calculadora para tentar manter as vendas. O prejuízo, no entanto, foi inevitável. Segundo a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), as constantes interrupções de energia têm comprometido o atendimento ao público e paralisado as transações, gerando perdas diretas e indiretas. O problema é ainda mais crítico em setores que dependem de refrigeração, como supermercados e conveniências, onde cada hora sem luz significa deterioração de produtos e aumento de custos.
Os reflexos também foram sentidos no trânsito. Semáforos apagados em cruzamentos como Mato Grosso e Paulo Machado, além da esquina da Mato Grosso com a Ceará, transformaram o tráfego em um exercício de improviso. Técnicos da Agetran tentaram restabelecer os sistemas com nobreaks, que garantem funcionamento por tempo limitado.
Além dos prejuízos econômicos e dos transtornos à rotina, há o risco à segurança. Fios soltos, postes caídos e ruas escuras colocam em perigo motoristas e pedestres. Os sucessivos apagões revelam a fragilidade da rede elétrica e a falta de soluções concretas por parte da Energisa.
Em nota, a concessionária informou que atua de forma ininterrupta para restabelecer o fornecimento de energia aos clientes afetados pela tempestade severa que atingiu o Estado na quarta-feira. Segundo a empresa, o Cemtec/MS e o NetClima registraram ventos acima de 100 km/h em diversas regiões, o que provocou quedas de árvores, galhos, placas e telhas sobre a rede elétrica. Esses fatores, de acordo com a Energisa, causaram a quebra de postes e o rompimento de cabos, tornando o trabalho das equipes mais complexo.
Apesar da justificativa, a população segue enfrentando dificuldades recorrentes com o fornecimento de energia. Em uma capital em crescimento, não há espaço para tanta instabilidade em um serviço essencial. Campo Grande precisa de respostas mais rápidas, infraestrutura mais resistente e respeito ao consumidor, que arca com as consequências de cada novo apagão.