Em entrevista ao Estado Diário, Deputado Estadual Professor Rinaldo afirma 📌 “Quando se violenta uma mulher, se violenta toda a família.

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Entrevistadora: Lu Barreto
Entrevistado: Professor Rinaldo Modesto, deputado estadual

O aumento dos casos de feminicídio em Mato Grosso do Sul tem gerado preocupação entre autoridades e a sociedade. Dados recentes apontam que o estado aparece entre os que registram maiores índices de mulheres assassinadas no país. Em entrevista à jornalista Lu Barreto, o deputado estadual Professor Rinaldo Modesto falou sobre as causas do problema, a importância da educação e as medidas necessárias para enfrentar a violência contra a mulher.


Lu Barreto: Deputado, estamos na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, mas as estatísticas são preocupantes. Um relatório divulgado neste mês aponta que Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com maior número de mulheres mortas. Somente neste início de ano, já foram sete casos em 54 dias. Como o senhor avalia esse cenário?

Professor Rinaldo Modesto: Infelizmente são números horrorosos, que precisam ser repudiados de forma veemente. O nosso estado, assim como outros da federação, ainda carrega uma cultura muito machista. Existe uma herança cultural que precisa ser enfrentada. Ao mesmo tempo, o Estado tem buscado fortalecer a estrutura de proteção às mulheres, com ações envolvendo a Casa da Mulher Brasileira, o Judiciário, o governo estadual, os municípios e também a Assembleia Legislativa.


Lu Barreto: O senhor tem uma atuação muito ligada à educação. Na sua visão, esse tema também passa pela formação das novas gerações?

Professor Rinaldo Modesto: Sem dúvida. Eu costumo dizer que precisamos atuar em duas frentes. A primeira é a criação de leis mais rígidas para punir esse tipo de crime. A segunda é investir fortemente na prevenção. A educação tem um papel fundamental nesse processo. Precisamos trabalhar nas escolas valores como respeito, tolerância e igualdade entre homens e mulheres.


Lu Barreto: Existe uma lei de sua autoria voltada para esse trabalho dentro das escolas. Ela já está sendo aplicada?

Professor Rinaldo Modesto: A lei prevê que o tema da violência contra a mulher seja trabalhado como conteúdo transversal nas escolas ao longo do ano letivo. Eu tenho cobrado bastante para que isso seja colocado em prática, mas ainda nem todas as unidades aplicam de forma sistemática. Muitas vezes o assunto é discutido apenas em datas específicas, como no mês de março, quando o ideal seria tratar disso durante todo o ano.


Lu Barreto: Muitos especialistas defendem campanhas mais impactantes para alertar sobre o risco da violência doméstica, assim como ocorreu em campanhas de trânsito no passado. O senhor concorda com esse tipo de estratégia?

Professor Rinaldo Modesto: Eu acredito que campanhas mais fortes podem ajudar a chamar a atenção da sociedade. Isso já aconteceu em outras áreas, como nas campanhas contra o cigarro. É importante sensibilizar a população e mostrar a gravidade dessa situação. Não podemos aceitar nenhum tipo de violência, especialmente contra as mulheres.

Para o deputado, embora avanços tenham sido registrados na estrutura de atendimento e no fortalecimento da rede de proteção às mulheres, ainda há um longo caminho para reduzir os índices de violência.

“Quando se violenta uma mulher, se violenta toda a família. Precisamos continuar avançando para construir uma sociedade mais justa, onde as mulheres sejam respeitadas e protegidas”, concluiu.

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