Fé na chuva e no clique
A caminhada do deputado mineiro Nikolas Ferreira rumo a Brasília terminou debaixo de raios e trovões, mas o que realmente chamou a atenção dos observadores foi a comitiva sul-mato-grossense que resolveu encarar o barro. O trio formado pelos deputados Marcos Pollon e João Henrique Catan, acompanhados pelo Capitão Contar, todos do PL, parece estar em uma busca frenética pelo chamado fato novo. Dizem as más línguas que o desespero por um clique ao lado da estrela nacional do bolsonarismo é para garantir que a chama eleitoral não apague antes das próximas eleições. Se a caminhada purifica a alma, para eles serviu mesmo para tentar purificar a imagem de políticos sem mandato ou sem espaço nos planos principais do partido.
De mala e cuia
Marcos Pollon, que sonha com a cadeira de governador mas encontra as portas do PL trancadas por dentro, já estaria ensaiando a mudança de ninho. A estratégia é usar os minutos de fama ao lado de Nikolas Ferreira para tentar reeditar o fenômeno de 2018. Enquanto isso, o Capitão Contar tenta se viabilizar como candidato ao Senado na marra. Sem mandato e vivendo de recordações daquela votação recorde de anos atrás, o ex-deputado tenta colar em qualquer vulto que lembre o ex-presidente Bolsonaro para ver se a mágica acontece de novo. É o famoso quem não tem teto, caça com quem tem palanque.
Ninho deserto
O PSDB em Mato Grosso do Sul está vivendo um verdadeiro êxodo tucano a pouco mais de um mês da janela partidária. O partido, que outrora era o dono da cocada preta no estado, viu sua hegemonia derreter. Das 44 prefeituras que comandava, sobraram apenas 20. O fenômeno é quase um fenômeno migratório: 19 prefeitos voaram para o PL e outros cinco buscaram abrigo no PP de Tereza Cristina. Pelo visto, o bico do tucano está quebrado e o estoque de alpiste acabou, deixando o ninho cada vez mais vazio e silencioso.
Freio de mão em Amambai
O prefeito de Amambai, Sérgio Barbosa, sentiu o peso da caneta do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul. O TCE mandou parar tudo em um pregão eletrônico de R$ 12,8 milhões que serviria para comprar uma frota novinha em folha. A unidade técnica achou tanta inconsistência no planejamento que preferiu puxar o freio de mão preventivo antes que o dinheiro público pegasse a estrada em veículos viciados por irregularidades. Pelo jeito, a renovação da frota vai ter que esperar um banho de legalidade.
Exportação ministerial
Simone Tebet já é vista como visita no MDB sul-mato-grossense. A ministra do Planejamento deve ter o seu destino selado em reunião com o presidente Lula ainda esta semana, e tudo indica que ela será exportada para o cenário paulista. Como o MDB de São Paulo está fechadíssimo com Tarcísio de Freitas, Simone não teria espaço para brilhar por lá na legenda atual. O caminho natural deve ser o PSB, para onde ela levaria sua bagagem política na tentativa de conquistar um espaço majoritário no maior colégio eleitoral do país. Em Mato Grosso do Sul, o partido já começou a guardar as fotos dela nas gavetas do fundo.
Memória seletiva em Figueirão
O prefeito de Figueirão, Juvenal Consolaro, parece sofrer de uma amnésia conveniente. Ignorando as recomendações do Ministério Público contra o nepotismo, ele nomeou André Nogueira Barbosa para a Secretaria de Educação. O detalhe? André é esposo da Controladora do Município, Frasia Catarina. O promotor Gustavo Henrique Bertocco já tinha avisado que a manobra de mudar leis para flexibilizar contratações de parentes era um atentado ao interesse público, mas o prefeito preferiu seguir a máxima de que tudo em família é mais gostoso. Resta saber até quando a justiça vai aceitar esse aprimoramento legislativo caseiro.