A Santa Casa de Campo Grande atravessa uma crise interna profunda que compromete diretamente a segurança e o atendimento aos pacientes. Denúncias feitas por funcionários do centro cirúrgico revelam atrasos salariais de médicos que já superam seis meses, além da falta de repasses a empresas terceirizadas de anestesia, resultando em uma redução drástica na capacidade operacional do hospital.
Segundo relatos colhidos pela reportagem, o centro obstétrico, que antes funcionava no terceiro andar, foi transferido para o segundo andar e agora opera com apenas duas salas dentro do centro cirúrgico geral. A mudança obriga a realização de cesáreas em meio à rotina de cirurgias gerais, o que, segundo profissionais, eleva o risco de contaminação e gera sobrecarga extrema nas equipes de saúde.
A situação financeira também paralisou as cirurgias eletivas. Atualmente, apenas procedimentos de emergência são realizados, enquanto uma fila de aproximadamente 70 pacientes aguarda por intervenções. Esse número cresce diariamente, impulsionado pela alta demanda de vítimas de acidentes de trânsito que chegam à unidade.
No pronto-socorro, o cenário descrito é de caos, com pacientes sendo acomodados no chão devido à superlotação. Para tentar amenizar a falta de pessoal, a administração do hospital tem realizado o remanejamento constante de trabalhadores ao longo do dia, deslocando equipes inteiras entre diferentes setores para suprir buracos na escala de serviço.
A crise ainda forçou o fechamento da Day Clinic no térreo, e os funcionários enfrentam incertezas sobre o recebimento de seus próprios salários. Até o momento, a direção da Santa Casa não se manifestou oficialmente sobre as denúncias ou apresentou um cronograma para a regularização dos pagamentos e dos serviços.