Crise na Santa Casa de Campo Grande paralisa atendimentos e cirurgias complexas

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A Santa Casa de Campo Grande enfrenta uma grave crise financeira neste início de ano, resultando na paralisação de atendimentos ambulatoriais e cirurgias complexas há quase seis meses. Um relatório interno do hospital, obtido pelo Correio do Estado, revela a extensão do problema, com mais de 3,3 mil procedimentos não realizados nas áreas de ortopedia, cardiologia pediátrica, urologia e cirurgias plástica, cardiovascular, geral e do aparelho digestivo.

A situação é particularmente preocupante na ortopedia, onde a Santa Casa é referência para o Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Mato Grosso do Sul. Pelo menos 420 procedimentos, incluindo consultas e pré-operatórios, foram suspensos desde 3 de setembro de 2024, sem previsão de retomada. Apenas cirurgias emergenciais e eletivas com encaminhamento externo estão sendo realizadas.

Na cardiologia pediátrica, 112 procedimentos foram cancelados desde 7 de janeiro, e o médico responsável pelo setor pediu demissão em 23 de janeiro. A cirurgia cardiovascular também foi afetada, com 785 procedimentos não realizados desde 16 de dezembro de 2024. A urologia enfrenta uma situação semelhante, com 1.176 atividades ambulatoriais suspensas entre 2 de setembro de 2024 e 10 de fevereiro de 2025.

A crise financeira que assola a Santa Casa de Campo Grande se intensifica com o descumprimento de um acordo firmado no início da década. O acordo previa que o município complementaria os repasses de verbas federais para o hospital com o valor adicional de R$ 1 milhão, o que não está sendo cumprido.

Na última semana, o diretor técnico da Santa Casa, William Lemos, revelou ao Correio do Estado que tem buscado, de forma reiterada, dialogar com a Prefeitura de Campo Grande sobre a relação financeira, mas sem sucesso. Ele classificou a relação como “deficitária” para o hospital.

Em nota oficial, a Santa Casa, assinada por Lemos, declarou: “O contrato sempre vem sendo negociado e imposto em condições que historicamente não atendem à necessidade de custo da Santa Casa. A inflação de materiais médicos e o valor da força médica, além da força de outras categorias, como enfermagem e fisioterapia, têm aumentado ao longo do tempo, e isso também impacta bastante esse déficit”.

A falta do repasse acordado agrava a situação da Santa Casa, que já enfrenta a paralisação de atendimentos ambulatoriais e cirurgias complexas devido à crise financeira. A instituição, que é referência para o SUS em Mato Grosso do Sul, corre o risco de comprometer ainda mais o atendimento à população.

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