O Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande solicitou uma auditoria técnica, contábil e financeira no Fundo Municipal de Saúde (FMS) referente aos últimos cinco anos (2020 a 2025). O pedido, aprovado por unanimidade na última reunião do Conselho, busca esclarecer uma série de irregularidades apontadas pelo colegiado.
Entre as principais queixas estão a ausência de envio dos extratos bancários e conciliações das contas há cerca de um ano, mesmo após diversas cobranças. O Conselho também destacou a falta de registro de “contas a pagar” nos balancetes de 2025, o que contraria a realidade do setor e dificulta a fiscalização da situação financeira da saúde municipal.
Outro ponto de preocupação é o atraso no pagamento de fornecedores e prestadores de serviço, que já relataram insegurança na continuidade dos atendimentos.
O pedido de auditoria foi encaminhado a três órgãos de controle:
- Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS): para fiscalização dos recursos estaduais e municipais.
- Tribunal de Contas da União (TCU): devido ao uso de recursos federais.
- Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus): para avaliar a aplicação dos recursos do Sistema Único de Saúde.
A solicitação do Conselho Municipal de Saúde ocorre em meio a uma denúncia divulgada pelo portal TopMídiaNews, que aponta um suposto desvio de mais de R$ 156 milhões do FMS. Segundo a denúncia, o valor teria sido usado para pagar a folha de salarial antes das eleições de 2024. A manobra, conhecida como “pedalada fiscal”, teria sido feita para evitar que o nome da então pré-candidata à reeleição, a prefeita Adriane Lopes (PP), fosse incluído na “lista-suja” do TCE. As secretárias municipais de Saúde, Rosana Leite, e de Fazenda, Márcia Hokama, também seriam envolvidas nas supostas irregularidades.