Quatro dias antes das eleições para a presidência da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aumentou em R$ 165 mil o salário do presidente interino da entidade estadual, Estevão Petrallás. Conforme a Revista Piauí, a CBF elevou os vencimentos dos 27 presidentes das federações estaduais em 330%, passando de R$ 50 mil para R$ 215 mil mensais, além de incluir o direito a um 16º salário.
Com o reajuste, o salário do presidente da FFMS supera, em alguns meses, o de desembargadores do estado, que podem chegar a R$ 200 mil. O valor também é quase cinco vezes maior que a premiação de R$ 45 mil destinada ao campeão estadual de 2025.
Há cerca de 10 dias, Ednaldo Rodrigues foi reeleito por unanimidade para permanecer à frente da CBF até 2030. Na ocasião, Estevão Petrallás, que rejeitou dialogar com Ronaldo Fenômeno – interessado no cargo –, declarou apoio a Rodrigues. “O apoio a Ednaldo reafirma um caminho de sucesso. O futebol brasileiro precisa dessa continuidade para se fortalecer”, afirmou Petrallás durante a eleição, na sede da CBF, no Rio de Janeiro, conforme noticiado pelo Correio do Estado.
A eleição para a presidência da FFMS está marcada para a próxima terça-feira (8), no Grand Park Hotel, no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande. Além de Petrallás, seis candidatos concorrem ao cargo: Américo Ferreira (ex-presidente do Novo), André Baird (Costa Rica), Cláudio Barbosa (Comercial), Marcos Araújo (Dourados), Paulo Telles (ex-Cene) e Toni Vieira (ex-Operário). Segundo a FFMS, 51 filiados estão aptos a votar, com a primeira convocação às 10h30 e a segunda às 11h.
Denúncias envolvendo a CBF
A reportagem da Revista Piauí também revelou gastos da CBF durante a Copa do Mundo de 2022, quando a entidade custeou um grupo de 49 pessoas sem vínculo com o futebol, com regalias como voos em primeira classe, hospedagem em hotéis cinco estrelas e ingressos para jogos da seleção brasileira. O custo total foi de cerca de R$ 3 milhões.
Outro caso envolveu Roberto Góes, presidente da Federação Amapaense de Futebol e vice-presidente da CBF. A entidade pagou passagens aéreas de Macapá a São Paulo e hospedagem em um hotel cinco estrelas no bairro Jardins para Góes, sua esposa, irmã e filha, sob a justificativa de um procedimento cirúrgico de sua companheira, Gláucia Costa Oliveira. Góes ainda solicitou, e teve aprovado por Ednaldo, mais dez dias de estadia, totalizando um gasto de R$ 114 mil.
A revista também apontou um pagamento de R$ 2,5 milhões a Gustavo Feijó, ex-rival de Ednaldo na disputa pela CBF, que desistiu da candidatura após receber a quantia, referente a uma ação contra a confederação em Alagoas.
Contexto da FFMS
A FFMS está sob comando interino de Estevão Petrallás desde maio do ano passado, após a prisão de Francisco Cezário, que liderou a federação por 28 anos, durante a Operação Cartão Vermelho. Petrallás foi nomeado pela CBF para o cargo e, em novembro, teve seu mandato interino renovado por mais seis meses, podendo permanecer até 10 de abril, caso não seja eleito presidente na próxima semana.