A possível investigação contra o vereador Elinho Júnior (PP) na Câmara de Corumbá é o teste de fogo para a credibilidade do Legislativo local. O caso, que ultrapassou as fronteiras da cidade após as imagens de agressão e intimidação contra um vendedor ambulante viralizar. O parlamentar, que utilizou a força para destruir os instrumentos de trabalho de um cidadão comum em frente ao seu próprio comércio, agora enfrenta o risco real de cassação por quebra de decoro parlamentar.
A nota oficial emitida pela presidência da Câmara, enfatiza que “não compactua com atos que violem a dignidade humana”. A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar terá a responsabilidade de decidir se a conduta de Elinho Júnior é compatível com o cargo que ocupa. O argumento de “cabeça quente” ou de proteção à família, utilizado pelo vereador em vídeos de desculpas, não apaga a gravidade de um agente público que usa a intimidação física para resolver conflitos de concorrência comercial.
A situação ganha contornos ainda mais críticos diante das denúncias de que o ambulante teria sido coagido a gravar um pedido de perdão sob pressão de um agente policial. Esse cenário sugere uma rede de influência que tenta silenciar o elo mais fraco da corrente. Se a Comissão de Ética ignorar esses agravantes, enviará uma mensagem perigosa de que o mandato parlamentar funciona como um salvo-conduto para o abuso de autoridade e o desrespeito aos direitos civis.
O Portal Estado Diário acompanhará de perto cada movimentação dos vereadores Roberto Façanha, Hesley Santana e Hanna Santana na condução deste processo. O comportamento de um parlamentar deve ser exemplar dentro e fora do recinto legislativo, e qualquer tentativa de minimizar o episódio como uma briga isolada será uma afronta direta ao povo de Corumbá. A dignidade de um trabalhador não pode ser pisoteada sem que o rigor da lei e do regimento interno se faça presente.
Leia a nota na íntegra
A Câmara Municipal de Corumbá/MS, lamenta o ocorrido no último sábado, 27 de dezembro de 2025, envolvendo o vereador Elio Moreira Junior e o sr. José Elizeu Lara e, no uso de suas atribuições legais e em respeito aos cidadãos e cidadãs, vem a público informar que já está tomando as medidas necessárias em relação aos fatos.
Informamos que a Câmara Municipal não compactua com quaisquer atos que violem o respeito mútuo ou a dignidade humana.
Diante disso vai ouvir as partes envolvidas e, se necessário, encaminhar o caso à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar para as providências cabíveis.
Ressaltamos que o comportamento de todos os parlamentares deve ser pautado pela ética, dentro e fora do recinto legislativo, e que atos que atentem contra a imagem do Poder Legislativo estão sujeitos às penalidades previstas no Código de Ética e no Regimento Interno.
Corumbá, MS, 29 de dezembro de 2025
Ubiratan Canhete de Campos Filho
Presidente da Câmara Municipal