Situação de extrema crueldade e negligência surpreendeu as equipes médicas da Santa Casa de Campo Grande na noite desta quarta-feira. Uma bebê indefesa, com apenas um mês e 16 dias de vida, deu entrada na unidade com um quadro clínico desesperador: cerca de 13 costelas quebradas e derrame pleural, popularmente conhecido como água no pulmão. O estado da criança mobilizou imediatamente a Polícia Militar para investigar o que pode ser um dos casos mais graves de maus-tratos recentes na capital.
O relato dos pais, de 20 e 21 anos, é perturbador. Eles alegam que as múltiplas fraturas foram causadas por uma “massagem” realizada pelo pai no último domingo para aliviar cólicas e gases. O homem confessou ter ficado nervoso com o choro da filha e aplicado uma força desproporcional contra o tórax frágil da recém-nascida. O impacto foi tão severo que resultou na quebra de quase todas as costelas e em complicações pulmonares graves, colocando a vida da criança em risco iminente.
Ainda mais alarmante é o fato de que a bebê foi mantida em sofrimento dentro de casa por três dias inteiros. A mãe justificou a demora criminosa para buscar socorro alegando falta de dinheiro para o transporte, esperando o recebimento do salário na quarta-feira para finalmente levar a filha a uma Unidade de Pronto Atendimento. Durante esse período, a criança conviveu com a dor extrema de treze ossos quebrados sem qualquer auxílio médico.
A polícia flagrou contradições e tentativas de evasão. O pai chegou a sair do hospital quando soube que a assistência social chamaria a polícia e deu informações falsas sobre sua localização via aplicativo. Na análise do celular do suspeito, os policiais encontraram mensagens de conhecidos implorando para que ele levasse a bebê ao médico, conselho que foi ignorado sob a justificativa de falta de recursos para uma corrida por aplicativo. O casal foi detido e o caso segue sob investigação, enquanto a pequena vítima luta pela recuperação sob os cuidados da bisavó e da equipe médica.