Uma articulação política de bastidores está sacudindo o cenário eleitoral em Mato Grosso do Sul, com grupos de direita apostando em uma dobradinha de peso para as duas cadeiras em disputa no Senado. A estratégia foca no chamado voto casado entre Capitão Contar (PL) e Marcos Pollon, que deve migrar para o partido Novo em março. O objetivo é consolidar a força do eleitorado conservador que garantiu desempenhos expressivos nas últimas eleições gerais de 2018 e 2022.
A aliança entre Pollon e Contar estaria sendo costurada com influência direta de lideranças nacionais e internacionais. Nomes como o deputado federal Marcel van Hattem e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos, participam das tratativas. Pollon teria sido orientado por Eduardo Bolsonaro a focar na disputa ao Senado, abrindo mão de uma pré-candidatura ao governo do Estado pelo Novo, o que libera espaço para outros nomes da legenda, como o deputado estadual João Henrique Catan e o empresário Jaime Valler.
Do outro lado, Capitão Contar mantém sua pré-candidatura pelo PL, onde divide o favoritismo interno com o ex-governador Reinaldo Azambuja. Ambos contam com o aval de Valdemar Costa Neto, presidente nacional da sigla, mas a estratégia do voto casado Contar-Pollon visa blindar o eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse movimento pode isolar candidatos de perfil moderado que também buscam votos no campo da direita, como o próprio Azambuja e o senador Nelsinho Trad.
O tabuleiro político local sofre ainda os reflexos de mudanças no PSD. Com o distanciamento nacional do partido em relação ao bolsonarismo e a aproximação com projetos de centro, figuras como o vice-governador Barbosinha e o secretário Jaime Verruck podem deixar a legenda. Esse cenário de congestionamento no arco de alianças do governo estadual pode empurrar Nelsinho Trad para composições mais ao centro ou até à esquerda, onde seu irmão, Fábio Trad, desponta como um dos nomes para a disputa majoritária.