Júri rejeitou as teses da defesa; companheira sofreu um aborto após os ataques, segundo o Ministério Público
Um homem foi condenado a 22 anos e nove meses de prisão, em regime fechado, por tentar matar a companheira grávida, a própria mãe e o avô em Campo Grande. O Tribunal do Júri reconheceu duas tentativas de feminicídio e uma tentativa de homicídio qualificado.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), os ataques ocorreram durante a madrugada, em dezembro de 2022, na residência da família. O réu feriu a mãe e a companheira, além do avô, que tentou intervir. Depois, deixou o imóvel e foi preso preventivamente. A prisão foi mantida até o julgamento.
A acusação, apresentada pela 21ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, sustentou que as vítimas foram surpreendidas e tiveram a possibilidade de defesa dificultada. Também apontou motivo torpe e a vulnerabilidade do avô em razão da idade avançada.
Durante o julgamento, o promotor Luiz Eduardo de Souza Sant’Anna Pinheiro pediu a condenação pelos três crimes. Na avaliação da pena, também requereu que fossem consideradas a reincidência e as consequências dos ataques, especialmente o aborto sofrido pela companheira.
A defesa alegou que o acusado não teve intenção de matar e desistiu voluntariamente dos crimes. Também argumentou que ele estava sob efeito de álcool e drogas e pediu o afastamento das qualificadoras. Os jurados rejeitaram as teses defensivas e acolheram a acusação.
A sentença estabeleceu sete anos, dez meses e 15 dias de prisão para cada tentativa de feminicídio e sete anos pela tentativa de homicídio qualificado contra o avô. O condenado também deverá pagar R$ 5 mil de indenização por danos morais a cada vítima.