Contrato previsto para 36 meses ainda depende de assinatura; déficit poderá permanecer entre R$ 15 milhões e R$ 19,7 milhões por mês
O acordo para repassar R$ 39 milhões mensais à Santa Casa de Campo Grande não será suficiente para resolver a crise financeira do hospital, segundo avaliação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). O entendimento foi alcançado nesta quarta-feira (14), entre a instituição, a Prefeitura e o Governo do Estado, e prevê um contrato de 36 meses, ainda pendente de assinatura.
Conforme reportagem do Campo Grande News, o novo valor representa um acréscimo de R$ 4 milhões nos repasses mensais. Mesmo com o reajuste, a contabilidade apresentada pela administração hospitalar indica que o déficit operacional deverá permanecer entre R$ 15 milhões e R$ 19,7 milhões por mês.
Durante audiência na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, o promotor Marcos Dietz cobrou um plano de recuperação que assegure a continuidade dos serviços. Para o MPMS, a ampliação dos recursos precisa ser acompanhada de medidas capazes de recuperar a capacidade financeira e operacional da instituição.
Espera por procedimentos
A preocupação também envolve as condições de atendimento. Segundo o relato do Ministério Público reproduzido pela reportagem, há pacientes internados por até 90 dias à espera de procedimentos e outros que aguardam cerca de 60 dias para receber um marcapasso.
O promotor relacionou os atrasos à falta de medicamentos, materiais hospitalares, próteses e outros insumos, além das dificuldades para pagar equipes médicas.
A situação dos anestesiologistas foi apontada como um dos pontos mais urgentes. Conforme o MPMS, as dívidas com o corpo clínico chegam a aproximadamente R$ 40 milhões. A dificuldade de manter esses profissionais ameaça a realização de procedimentos que dependem de anestesia.
Recuperação exige mais que o contrato
O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, reconheceu o avanço nas negociações, mas também destacou a necessidade de um plano de recuperação econômico-financeira.
A ação judicial continuará em andamento. O Ministério Público pretende acompanhar as negociações e cobrar medidas da Prefeitura, do Estado e da administração hospitalar para garantir atendimento contínuo aos pacientes do SUS.
O acordo amplia os recursos previstos para o hospital, mas ainda não representa a normalização dos serviços. A assinatura do contrato e a definição das medidas de recuperação permanecem como etapas a serem acompanhadas.