Lucas da Silva dos Santos é suspeito de participar do esquema de desvio de drogas apreendidas por policiais; Ministério Público investiga se empresa foi usada para ocultar a origem do dinheiro
Uma construtora entrou no centro das apurações da Operação Infiltrados, que investiga o desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança em Mato Grosso do Sul. Segundo informações da investigação divulgadas neste sábado (26), contas pessoais de Lucas da Silva dos Santos e da empresa L R Obras e Construções receberam, juntas, mais de R$ 3,2 milhões. Dessas contas saíram aproximadamente R$ 2,5 milhões.
Conhecido como “LK”, Lucas é investigado por supostamente negociar entorpecentes desviados com policiais. Para o Gaeco, a construtora teria sido utilizada para dar aparência legal à circulação de recursos ligados ao tráfico. Os promotores apontam que a empresa não apresentava atividade relevante compatível com a movimentação financeira identificada. Essa é a hipótese da investigação, ainda sujeita à análise da Justiça.
A apuração também identificou transferências que somam R$ 350 mil para familiares do ex-policial militar Alison Lemes Bezerra, outro investigado, além de um repasse de R$ 600 feito em 2022 ao policial civil Neverson Vieira de Araújo. O Ministério Público suspeita que o uso de contas de terceiros ajudava a dificultar o rastreamento da origem e do destino do dinheiro. As movimentações, por si só, não estabelecem a responsabilidade criminal de quem recebeu os valores.
Deflagrada na quinta-feira (24), a Operação Infiltrados investiga um esquema em que parte das drogas recolhidas em ações policiais teria sido omitida dos registros ou retirada de depósitos de delegacias para voltar ao mercado ilegal. A ofensiva abrangeu Campo Grande, Dourados e Terenos.
As informações sobre as contas e a construtora foram divulgadas pelo Jornal Midiamax com base na apuração do Gaeco. O espaço permanece aberto para posicionamento dos citados.