Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado em Mato Grosso do Sul

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Categoria cobra reposição da inflação, manutenção de direitos e garantias para o plano de saúde; estatal afirma que adotou medidas para evitar interrupção dos serviços

Os trabalhadores dos Correios em Mato Grosso do Sul iniciaram uma greve por tempo indeterminado às 22h de quinta-feira (10). A paralisação foi aprovada durante assembleia realizada horas antes e integra uma mobilização nacional ligada à Campanha Salarial 2026/2027.

Mato Grosso do Sul possui aproximadamente 1,2 mil funcionários da estatal. A adesão ao movimento é individual e facultativa, e ainda não foi divulgado um balanço oficial com o número de trabalhadores parados no Estado.

Na manhã desta sexta-feira (11), funcionários realizaram um piquete diante do Complexo dos Correios, localizado na Rua Barão do Rio Branco, esquina com a Avenida Ernesto Geisel, em Campo Grande. O sindicato também informou que houve mobilizações no interior.

Até o momento, nenhuma agência foi completamente fechada. Entretanto, o atendimento poderá sofrer alterações e a distribuição de encomendas e correspondências deve ser a área mais afetada, conforme aumentar a adesão à greve.

A paralisação envolve carteiros, atendentes, trabalhadores dos centros de triagem e empregados dos setores administrativos. Uma nova concentração está prevista para a manhã de segunda-feira (14), em frente ao Complexo dos Correios na Capital.

Plano de saúde está no centro do impasse

O principal ponto de divergência entre a categoria e a direção da estatal envolve o CorreiosSaúde, plano administrado pela Postal Saúde.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios, Telégrafos e Similares de Mato Grosso do Sul (Sintect-MS), a empresa pretende deixar a condição de mantenedora e passar a atuar como patrocinadora do plano.

Na avaliação da entidade, a mudança poderia reduzir a responsabilidade financeira dos Correios e aumentar os valores cobrados dos trabalhadores, aposentados e dependentes.

O presidente do Sintect-MS, Wilton dos Santos Lopes, afirma que alguns funcionários já pagam aproximadamente R$ 1,2 mil mensais pelo plano, enquanto o salário médio dos trabalhadores da base seria de R$ 2,5 mil.

A categoria também cobra reposição integral da inflação nos salários, reajuste dos benefícios, manutenção das cláusulas do acordo coletivo, melhores condições de trabalho e preservação dos empregos.

A greve foi deflagrada depois que uma nova tentativa de negociação, com mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), terminou sem acordo.

Correios apresentam versão diferente

Os Correios afirmam que apresentaram uma proposta que contempla 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Segundo a estatal, foi oferecido reajuste correspondente a 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde.

A empresa, contudo, não detalhou quais cláusulas ficaram fora da proposta nem esclareceu especificamente a afirmação do sindicato sobre uma possível mudança em sua responsabilidade pelo plano de saúde.

Plano de contingência

Para reduzir os efeitos da paralisação, os Correios acionaram um plano de contingência em Mato Grosso do Sul. As medidas incluem remanejamento de trabalhadores, reforço operacional e ações logísticas para manter o atendimento e a distribuição de objetos postais.

A estatal sustenta que as unidades estão funcionando normalmente no Estado e que, até o momento, a operação não sofreu impacto significativo. O sindicato, por outro lado, alerta que encomendas e correspondências poderão atrasar caso a adesão aumente nos próximos dias.

Ainda não existe previsão para o encerramento da greve. As entidades sindicais afirmam que permanecem abertas à retomada das negociações.

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