O avanço nas estatísticas de desaparecimentos de menores de idade coloca Mato Grosso do Sul em estado de atenção. Dados oficiais extraídos do sistema da Polícia Civil e compilados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) revelam que, ao longo do ano de 2026, o estado registrou o desaparecimento de 191 crianças e adolescentes. O indicador representa uma média alarmante de 5,5 sumiços por semana [1] — o equivalente a um registro a cada 32 horas. Do total de ocorrências apuradas, 25 envolvem crianças e 166 correspondem a adolescentes.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a categoria jurídica de “desaparecimento” é ampla. Ela engloba desde fugas voluntárias motivadas por conflitos familiares, abuso e problemas de saúde mental, até crimes graves como subtração parental, sequestro e tráfico de pessoas.
Ferramentas de busca e o Caso Ayla
A urgência na resolução desses episódios ganhou repercussão nacional após o caso da bebê Ayla Emanuelly, raptada aos 28 dias de vida em Campo Grande. A autora do crime, que simulava uma gravidez falsa, fugiu com o recém-nascido para o Paraguai, onde acabou presa pela polícia.
O desfecho rápido e positivo do caso contou com o apoio do Amber Alert, programa de avisos urgentes que envia publicações com fotos e dados da vítima para as redes sociais (Facebook e Instagram) de usuários localizados em um raio de até 160 quilômetros do sumiço. A imensa faixa de fronteira seca de Mato Grosso do Sul com países como Paraguai e Bolívia torna a velocidade das investigações um fator crítico, já que cidades vizinhas de países fronteiriços são rotas frequentes de fuga.
Principais destinos e motivações
Estudos de entidades de proteção à infância e dados do Ministério da Justiça apontam que cerca de 80% dos menores desaparecidos no Brasil são localizados vivos. Os destinos e paradeiros variam conforme a natureza do sumiço:
- Casas de amigos ou abrigos: É o destino mais comum na faixa etária adolescente. A maioria das fugas é voluntária, motivada por violência doméstica ou sofrimento psíquico.
- Subtração parental: Casos em que um dos genitores, sem autorização legal, retira o menor de sua rotina e muda de cidade ou estado.
- Redes de exploração: Embora representem a menor porcentagem estatística, são os casos mais graves. Envolvem a inserção clandestina de menores em redes de trabalho escravo, exploração sexual ou adoção ilegal.
O que fazer diante de um sumiço?
Especialistas e forças de segurança reforçam que não se deve esperar 24 horas para procurar a polícia. O registro do Boletim de Ocorrência deve ser imediato para aumentar as chances de localização.
Ao notar a ausência injustificada, o responsável deve comparecer à delegacia mais próxima com fotos recentes, histórico de rotina e descrição das roupas da vítima. Além das delegacias físicas, a população pode acionar o Disque 100, o telefone de emergência 190 ou a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) pelo número (67) 3323-2500.