Vítimas trabalhavam em uma área elevada quando a estrutura de aproximadamente 14 metros cedeu; perícia apura possível falha de projeto ou de montagem
O desabamento da estrutura de um mercado em construção matou dois trabalhadores e deixou outros dois feridos na tarde desta sexta-feira (4), no Bairro Aero Rancho, em Campo Grande. O acidente aconteceu por volta das 14h07, em uma obra localizada na região da Avenida Rachel de Queiroz.
As vítimas fatais foram identificadas como Willian Douglas Souza Cabral, de 39 anos, e Joel Oliveira da Silva, de 41 anos. Os dois trabalhavam em uma área elevada e morreram no local após a estrutura metálica e de concreto pré-moldado, com aproximadamente 14 metros de altura, perder a sustentação.
Outros dois trabalhadores foram resgatados e encaminhados à Santa Casa de Campo Grande. Eles são moradores de Sidrolândia e deram entrada na ala vermelha da unidade hospitalar. Um deles sofreu fratura no fêmur. O outro foi retirado dos escombros consciente e orientado, segundo as informações divulgadas após o atendimento.
Cerca de dez operários estavam no canteiro de obras no momento do acidente. Equipes do Corpo de Bombeiros, Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Polícia Militar e Polícia Científica foram mobilizadas. A área foi isolada para o resgate e a realização dos trabalhos periciais.
Imagens mostram queda em sequência
Uma câmera de segurança registrou o momento em que a estrutura começou a ceder. As imagens mostram as vigas perdendo sustentação em sequência, em um movimento semelhante a um efeito dominó. Um caminhão que estava no canteiro também acabou atingido pelos materiais.
Apesar dos registros, ainda não é possível determinar o que provocou o colapso. A hipótese inicialmente levantada de que um caminhão teria atingido um dos pilares foi descartada pela Polícia Civil.
Falha de projeto ou montagem está entre as hipóteses
A Perícia Científica retornou ao local na manhã deste sábado (5) para dar continuidade aos levantamentos. De acordo com avaliação preliminar do Crea-MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul), uma falha no projeto ou durante a montagem da estrutura pré-fabricada está entre as possibilidades investigadas.
O conselheiro do Crea-MS Sidiclei Formagini explicou que a fase de montagem é considerada crítica porque as peças ainda não estão completamente travadas e estabilizadas. Uma eventual perda de estabilidade durante esse processo poderia ter provocado o colapso em sequência. Ele ressaltou, contudo, que somente a perícia poderá apontar a causa do acidente.
A fiscalização do conselho constatou que a empresa responsável pela construção estava registrada, possuía profissional habilitado e tinha ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) referente ao projeto e à execução. O Crea-MS solicitou ao proprietário os planos de segurança, os projetos complementares e os laudos de inspeção dos equipamentos utilizados para içar cargas.
A regularidade documental inicial, entretanto, não encerra a apuração. O conselho ainda verificará se todas as atividades realizadas no momento do acidente estavam cobertas por responsabilidade técnica e se houve imperícia, imprudência ou negligência.
MPT abre investigação
O MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) abriu um inquérito civil para investigar as condições de trabalho e possíveis falhas nas medidas de proteção dos operários. Uma equipe pericial deverá inspecionar o canteiro e identificar todas as empresas responsáveis pelos trabalhadores.
A investigação criminal ficará sob responsabilidade da 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande. A definição de eventuais responsabilidades e do enquadramento do caso dependerá da conclusão dos laudos técnicos.