
Os números oficiais de agosto de 2026 são claros e frios.
O Brasil tem hoje 48 milhões de vínculos com carteira assinada – é o estoque total do CAGED. É esse grupo, junto com as empresas que os empregam, que paga a conta.
Do outro lado, temos 96 milhões de pessoas cadastradas no CadÚnico, 50 milhões de pessoas vivendo de Bolsa Família e 6,7 milhões no BPC.
Para sustentar essa máquina, a carga tributária bateu recorde: 32,4% do PIB, segundo o Tesouro Nacional. Pelo cálculo do IBPT, o brasileiro trabalha 150 dias por ano só para pagar imposto. Quase 41% de tudo que produzimos vai para o governo.
Governo não gera um real. Ele arrecada de quem acorda cedo, pega ônibus lotado e tem carteira assinada, para redistribuir para quem muitas vezes pode trabalhar, mas escolheu não trabalhar.
Isso não é política social. É engenharia da falência.
Um governo sério precisa separar, com coragem, o que é proteção do que é dependência.
- PROTEÇÃO INTEGRAL PARA QUEM NÃO PODE TRABALHAR
Idoso pobre sem família, pessoa com deficiência severa que impede qualquer atividade, doente incapacitado com perícia médica rigorosa e criança órfã. Esse é o público do BPC. Esse deve ser protegido com um salário mínimo integral, sem discussão. É dever moral do Estado. E isso custa R$ 133 bilhões por ano – já é caro, mas é legítimo. - BENEFÍCIO TEMPORÁRIO COMO PONTE, NÃO COMO CARREIRA
Para mãe solo desempregada, para família em calamidade ou desemprego recente, o auxílio tem que ser por 12 a 24 meses, com obrigação de curso profissionalizante, frequência escolar dos filhos comprovada e prova ativa de busca por emprego. Acabou o prazo, volta para o mercado. É o que os países sérios fazem.
Olhem para fora:
Nos Estados Unidos, o Bill Clinton acabou com o cheque vitalício em 1996 e criou o TANF: no máximo 5 anos de auxílio na vida toda e obrigação de trabalhar 30 horas por semana. O resultado foi tirar milhões da dependência.
Na Alemanha, a reforma Hartz IV unificou benefícios e disse: se recusar oferta de emprego compatível, perde o auxílio.
Em Singapura, não existe Bolsa Família permanente. Existe subsídio temporário para qualificação e emprego. Quem é saudável e não trabalha, não recebe.
Esses países entenderam que dignidade vem do trabalho, não do cartão do governo.
- FIM DO AUXÍLIO PARA QUEM PODE TRABALHAR E NÃO TRABALHA
Adulto saudável em idade produtiva, há 5, 10 anos no programa, sem nunca ter contribuído com um dia de INSS, não pode ser sustentado indefinidamente por quem paga 41% de imposto.
O Brasil está criando uma geração que faz conta: “por que vou assinar carteira por R$ 1.800,00 se fico em casa e recebo R$ 700,00 mais bicos sem desconto?” Quando quem trabalha descobrir que sustenta quem pode trabalhar e não trabalha, quem trabalha também vai desistir. E aí não sobra ninguém para pagar a conta.
O que um governo sério faria amanhã:
- Auditoria geral no CadÚnico com cruzamento com Receita, INSS e Justiça do Trabalho. Fraude identificada, benefício cortado.
- Limite temporal para todo benefício para aptos ao trabalho.
- Redução imediata da carga sobre a folha. Cada R$ 1,00 que o governo tira da empresa é um emprego a menos.
- Vincular 100% de qualquer auxílio à formação técnica e à aceitação de vaga disponível.
Assistência social existe para levantar quem caiu, não para manter deitado quem pode levantar.
Se continuarmos premiando quem não produz e punindo quem produz, o Brasil está fadado ao fracasso. Não é falta de dinheiro. É falta de vergonha de dizer o óbvio.
Evander Vendramini