Tensão em Dourados: Confronto por ocupação de Fazenda deixa Policial ferido, pastagens em chamas e cinco indígenas presos

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Uma tentativa de ocupação de terras rurais na região de Dourados transformou-se em um severo confronto entre indígenas da comunidade Guarani-Kaiowá, funcionários de propriedades rurais e equipes da Polícia Militar. O conflito generalizado ocorreu em uma fazenda situada às margens do Anel Viário, na área que engloba a Gleba Uirapuru, e estendeu-se ao longo desta quarta-feira (19). As guarnições policiais acionadas para conter a invasão foram recebidas de maneira hostil, enfrentando uma chuva de pedras e flechadas disparadas pelos manifestantes que tentavam se estabelecer de forma permanente no local.
A instabilidade na propriedade começou a se desenhar nos dias 17 e 18 de agosto, quando os primeiros membros da comunidade indígena Aratikuty avançaram sobre as cercas da propriedade privada, gerando atritos imediatos e ameaças relatadas por trabalhadores da região. Na manhã de quarta-feira, uma escavadeira contratada pela administração da fazenda foi levada à divisa com a Aldeia Bororó para abrir uma valeta profunda. A estratégia física visava criar um obstáculo intransponível e impedir o trânsito do grupo de aproximadamente 40 indígenas que pretendiam ocupar a gleba.

Ao chegarem ao endereço para garantir a segurança dos operadores de maquinário e dos civis, equipes da Força Patrulha, Força Tática e Getam localizaram acampamentos improvisados. Antes que qualquer ordem de dispersão ou negociação fosse consolidada, o grupo lançou flechas e usou estilingues para arremessar pedras contra os policiais. A PM recorreu ao uso de armamento de menor potencial ofensivo, como bombas de efeito moral e balas de borracha, forçando o recuo temporário dos agressores para o matagal. No acampamento abandonado, os militares apreenderam lanças, foices, facões, galões de gasolina e artefatos conhecidos como “miguelitos”, confeccionados com pregos para estourar pneus de viaturas.

A situação escalou drasticamente durante a tarde. Por volta das 13h20, uma das escavadeiras foi apedrejada por manifestantes, tendo seus vidros estilhaçados. No ataque, um policial militar acabou atingido por uma pedrada na perna esquerda, sofrendo ferimentos leves. Mais tarde, novos chamados reportaram incêndios que começavam a consumir a pastagem seca da fazenda. Com a fumaça se espalhando pelas propriedades adjacentes e novas investidas registradas, o cerco policial foi reforçado.

A operação culminou com a prisão em flagrante de cinco indígenas, identificados como Rizziele Chimenes Gauto, de 19 anos, Jaciele Gonçalves, de 27 anos, Maila Brites, de 32 anos, Lucila Chimenes, de 33 anos, e Sérgio Gauto, de 47 anos. Todos os detidos foram encaminhados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário de Dourados. Eles passarão por audiência de custódia e responderão formalmente pelos crimes de invasão de propriedade, lesão corporal dolosa, resistência e tentativa de esbulho possessório, além de figurarem como suspeitos diretos no inquérito que apura o crime de incêndio florestal.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério dos Povos Indígenas informaram que acompanham a situação jurídica dos detidos e monitoram o clima de tensão na região para evitar novos desdobramentos violentos.

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