Calor extremo: Meteorologista alerta para sensação térmica de até 52°C em Mato Grosso do Sul

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O estado de Mato Grosso do Sul deve enfrentar um cenário climático extremo nos meses de setembro e outubro. De acordo com o meteorologista Natálio Abrão, a combinação de calor intenso, ausência de frentes frias e baixa umidade do ar pode fazer com que a sensação térmica atinja marcas históricas entre 50°C e 52°C nos dias mais críticos.

O especialista esclarece que o valor de 52°C refere-se à percepção real do corpo humano, e não à temperatura registrada nos termômetros. Ainda assim, a previsão para a temperatura real do ar é alarmante, com os termômetros oscilando facilmente acima dos 40°C em diversas regiões do estado.

Termômetros x Sensação Térmica

  • Máximas reais: Cidades como Água Clara e Coxim devem registrar picos entre 41°C e 42°C.
  • Impacto no corpo: A baixa umidade (abaixo de 20%) eleva a sensação térmica para a faixa dos 52°C.
  • Bloqueio atmosférico: Uma forte massa de ar seco impede a chegada de chuva e frentes frias.

Alerta de saúde pública

Diante das projeções severas, órgãos de meteorologia e de saúde reforçam a necessidade de cuidados redobrados. A população deve intensificar a hidratação, suspender atividades físicas ao ar livre nos horários de pico (entre 10h e 16h) e utilizar umidificadores de ar em ambientes fechados para mitigar os efeitos da fumaça e do tempo seco.

Os gestores públicos e privados devem focar em infraestrutura de resfriamento urbano, monitoramento ativo e comunicação direta para proteger as populações vulneráveis — como idosos, crianças, trabalhadores ao ar livre e pessoas em situação de rua.

Abaixo estão as ações estratégicas e práticas que a gestão pode e deve implementar imediatamente para se antecipar aos picos de calor e baixa umidade em Mato Grosso do Sul:

1. Infraestrutura e Adaptação Urbana

  • Pontos de Hidratação Públicos: Instalar tendas ou totens com distribuição gratuita de água potável em áreas de grande circulação, terminais de ônibus e praças centrais.
  • Abrigos Climáticos (Centros de Resfriamento): Adaptar prédios públicos climatizados (como ginásios, escolas ou centros comunitários) com ar-condicionado, água e poltronas para que pessoas sem estrutura em casa possam passar as horas mais quentes do dia.
  • Ampliação de Zonas Verdes: Implementar projetos de arborização rápida e manter parques abertos e acessíveis com irrigação constante para reduzir o efeito das “ilhas de calor”.

2. Atenção Direta aos Grupos Vulneráveis

  • Monitoramento Ativo de Idosos e Doentes Crônicos: Acionar os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) para realizar buscas ativas e visitas domiciliares, garantindo que idosos isolados estejam hidratados e em ambientes ventilados.
  • Plano de Contingência para Pessoas em Situação de Rua: Mobilizar equipes de assistência social para distribuição de garrafas de água, bonés e protetor solar, além de facilitar o transporte voluntário dessas pessoas para os abrigos climáticos.
  • Adaptação da Rotina Escolar: Suspender aulas de educação física ao ar livre, adaptar o cardápio escolar para refeições mais leves e hidratantes, e garantir que todas as salas de aula da rede pública possuam ventiladores ou ar-condicionado funcionando.

3. Proteção ao Trabalhador

  • Flexibilização de Horários: Determinar, por decreto ou recomendação formal, a alteração de horário para trabalhadores da construção civil, limpeza urbana e agricultura. As atividades pesadas devem ser feitas no início da manhã ou fim da tarde, suspendendo o trabalho braçal nos horários de pico (entre 10h e 16h).
  • Estruturas de Suporte Obrigatórias: Exigir que as empresas forneçam tendas de sombra móveis, isotônicos, água gelada e pausas obrigatórias para descanso a cada hora trabalhada sob o sol. [1]

4. Gestão de Saúde e Alerta Precoce

  • Reforço nas Unidades de Saúde (UPA e UBS): Abastecer as farmácias públicas com soro de reidratação e medicamentos para doenças respiratórias crônicas. É necessário também treinar as equipes médicas para identificar rapidamente os sintomas de insolação e choque térmico.
  • Sistemas de Alerta por SMS e Redes Sociais: Disparar alertas em massa coordenados pela Defesa Civil estadual e municipal avisando sobre os dias em que a sensação térmica passará dos 50°C, indicando os cuidados imediatos.
  • Distribuição de Kits de Emergência: Entregar umidificadores de ar, soro fisiológico e inaladores para famílias de baixa renda cadastradas em programas sociais, minimizando o impacto das queimadas e da poeira.

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