Na política, há gestos que parecem recompensa. Outros, porém, se parecem mais com um afago para amenizar uma frustração. No caso do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS), a nova missão anunciada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, soa mais como um exercício de imaginação do que propriamente um prêmio.
Flávio anunciou que Pollon fará parte da equipe de transição de governo, caso vença as eleições de outubro. A tarefa seria coordenar a elaboração de políticas ligadas à legítima defesa e ao chamado “revogaço” das medidas de controle de armas adotadas pelo atual governo.
O problema é que a nomeação foi feita para uma transição de um governo que sequer foi escolhido pelas urnas. Em outras palavras, trata-se de um convite condicionado a um resultado que ninguém conhece e que dependerá da vontade do eleitor.
O anúncio também acontece poucos dias depois de Pollon ver escapar o sonho de disputar uma vaga ao Senado. Durante meses, o parlamentar alimentou a expectativa de ser o nome do PL na corrida senatorial, respaldado, inclusive, por uma carta de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a direção nacional e estadual da legenda optou por Capitão Contar, sob o argumento de que o compromisso era lançar quem apresentasse melhor desempenho nas pesquisas.
Sem a candidatura ao Senado, Pollon confirmou que buscará a reeleição para a Câmara dos Deputados. Agora, recebe uma missão que pode render prestígio político, mas cuja concretização depende de um desfecho eleitoral ainda completamente indefinido.
Na prática, a designação tem mais valor simbólico do que administrativo. Afinal, equipe de transição só existe se houver vitória nas urnas. Até lá, o convite permanece no campo das expectativas — um reconhecimento político que, por enquanto, vale apenas no condicional.