Condenado na Operação Sucessione, ex-parlamentar estava foragido desde julho e deverá passar por processo de extradição.
O ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) foi preso neste domingo (2) durante uma abordagem policial na Bolívia. Ele era considerado foragido da Justiça brasileira desde o dia 8 de julho, quando teve a prisão decretada em decorrência de condenação relacionada à Operação Sucessione.
De acordo com informações apuradas pela reportagem, após a expedição do mandado de prisão, Razuk deixou o Brasil e passou a viver de forma irregular no país vizinho para evitar o cumprimento da pena.
Em razão da fuga, o nome do ex-parlamentar estava em processo de inclusão na lista de Difusão Vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), mecanismo utilizado para localizar e prender pessoas procuradas internacionalmente.
Com a prisão na Bolívia, a defesa do ex-deputado deverá iniciar os procedimentos para sua extradição ao Brasil, onde deverá cumprir a decisão judicial.
Operação Sucessione
Neno Razuk foi condenado no âmbito da Operação Sucessione, investigação conduzida pelo Ministério Público que apura a disputa pelo controle da exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
Segundo a denúncia, o ex-deputado e integrantes do grupo criminoso participaram de três roubos praticados contra funcionários de uma organização rival em Campo Grande. As investigações também apontaram que um imóvel localizado no bairro Jardim Monte Castelo era utilizado como base das atividades da organização criminosa.
Durante as diligências, foram apreendidas mais de 700 máquinas utilizadas para exploração do jogo do bicho.
As investigações deram origem a uma segunda denúncia envolvendo familiares de Roberto Razuk Filho, apontados pelo Ministério Público como integrantes da organização criminosa. O grupo é investigado por crimes como lavagem de dinheiro, exploração de jogos de azar, corrupção e violação de sigilo funcional.
Nas operações, foram apreendidos R$ 274 mil em espécie, mais de mil euros e documentos que, segundo o Ministério Público, indicariam um faturamento mensal superior a R$ 600 mil com as atividades ilegais.
Com base nas provas reunidas, o Ministério Público solicitou o bloqueio de R$ 36 milhões em bens ligados à família Razuk.
A primeira ação penal resultou na condenação de Neno Razuk e de outras dez pessoas. Já a segunda denúncia segue em tramitação e ainda aguarda decisão da Justiça.