Violência contra a mulher dispara em MS e já soma mais de 6 mil casos

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Estado registra média de dois casos por hora, avanço de feminicídios e pressão crescente sobre o Judiciário

Mato Grosso do Sul já registrou 6.514 ocorrências de violência doméstica entre 1º de janeiro e 16 de abril de 2026, conforme dados do Monitor da Violência contra a Mulher, alimentado pela Sejusp-MS e pelo Poder Judiciário. O volume equivale a uma média de 61,4 casos por dia — cerca de duas ocorrências por hora ao longo dos 106 dias analisados.

Os registros estão presentes nos 79 municípios do estado, evidenciando a abrangência do problema em todo o território sul-mato-grossense. Ainda assim, há maior concentração nas cidades de maior porte.

Campo Grande lidera com ampla margem, concentrando aproximadamente um terço das ocorrências. Na sequência aparecem Dourados, Três Lagoas e Corumbá. Juntas, essas cidades respondem por mais da metade dos casos registrados.

Mesmo com essa concentração, o conjunto dos municípios do interior supera a capital em números absolutos, indicando que a violência não se limita aos grandes centros urbanos.

No mesmo período, Mato Grosso do Sul contabilizou 449 casos de estupro, o que representa mais de quatro ocorrências por dia. Assim como nos demais crimes, há maior incidência nos polos urbanos, mas os registros se distribuem por diversas regiões.

No recorte mais grave, o estado soma 11 feminicídios em 2026, distribuídos entre diferentes municípios, sem concentração em uma única cidade.

Outro dado preocupante é o avanço das tentativas de feminicídio. Foram 27 registros nos primeiros 75 dias do ano, número que quase dobra em relação ao mesmo período de 2025.

O aumento dos casos também impacta o Judiciário. O número de processos relacionados à violência contra a mulher passou de cerca de 24 mil para mais de 36 mil em cinco anos. Apesar do crescimento no volume de julgamentos, ainda existem mais de 55 mil ações pendentes.

Os dados indicam um padrão recorrente: a maioria das agressões ocorre dentro de casa e é praticada por companheiros ou ex-companheiros. As principais vítimas são mulheres entre 30 e 59 anos.

Mato Grosso do Sul figura entre os estados com maior incidência de feminicídio no país, reforçando a gravidade do cenário. Os indicadores mostram que, além de elevados, os casos avançam para formas mais graves de violência ao longo de 2026.

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