Uma operação conjunta realizada nesta sexta-feira (10) resultou na apreensão de produtos irregulares em um depósito e em duas conveniências pertencentes ao empresário Édson Barbosa, em Campo Grande. As equipes atuaram em um galpão na Avenida Antônio Maria Coelho e nos estabelecimentos Salvador e Alemão, localizados na Avenida Calógeras.
De acordo com o delegado Paulo Roberto Diniz, adjunto da Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo), a ação é um desdobramento de investigação iniciada há cerca de 15 dias, após a apreensão de aproximadamente 180 quilos de queijo. Na ocasião, o responsável pelo transporte afirmou que o produto seria destinado a um dos estabelecimentos fiscalizados. A produção teria origem no município de Corguinho.
Durante a vistoria no depósito, fiscais encontraram uma série de irregularidades, como produtos fora do prazo de validade, queijos impróprios para consumo e falhas no armazenamento e na manipulação dos alimentos.
“Inicialmente o foco era a questão dos queijos, mas a fiscalização abrange qualquer produto vencido”, explicou o delegado.
A médica veterinária Luana Oliveiras, fiscal do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), destacou problemas no reembalamento. Segundo ela, o estabelecimento realizava o fatiamento e a nova embalagem dos produtos sem respeitar a variedade original descrita no rótulo e sem registro no serviço de inspeção.
Também foram identificadas falhas no controle sanitário, como armazenamento inadequado — produtos que deveriam ser refrigerados estavam congelados — além de alimentos abertos sem identificação de data e itens com validade adulterada.
“Isso impede o rastreamento e compromete a segurança alimentar, especialmente em laticínios, que exigem controle rigoroso”, alertou a fiscal.
A equipe também encontrou produtos sem procedência definida, incluindo pescados, o que levanta dúvidas sobre a conservação e o destino final desses itens.
Na conveniência localizada na região central, os fiscais interromperam o atendimento para realizar a inspeção. Clientes que aguardavam na entrada foram dispensados por funcionários.
O empresário afirmou enfrentar dificuldades para atender às exigências sanitárias, principalmente quanto à rotulagem e aos prazos de validade. Segundo ele, parte dos produtos não possui rótulo adequado, o que dificulta o cumprimento das normas.
“O produto chega, a gente fatia, embala e envia para a loja. Nesse processo, já se perdem alguns dias. Por isso, colocamos uma data que assegure a qualidade e a saúde do consumidor”, justificou.
Ele também afirmou que busca regularizar a situação junto aos órgãos competentes e que não há registros de problemas de saúde relacionados aos produtos comercializados.
Participaram da ação equipes do Procon, da Vigilância Sanitária e do Iagro. A perícia foi acionada para analisar os materiais apreendidos, que podem chegar a cerca de 1 tonelada.