Operação Iscariotes fecha lojas no Camelódromo e mira esquema com policiais em Campo Grande

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Uma empresa ligada à mesma família teve quatro lojas interditadas no Camelódromo de Campo Grande durante a manhã desta quarta-feira (18), em meio à deflagração da Operação Iscariotes, conduzida pela Polícia Federal e pela Receita Federal.

A ação tem como foco desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar no contrabando de eletrônicos de alto valor, com participação de agentes de segurança pública. Segundo as investigações, policiais — da ativa e aposentados — eram recrutados para facilitar o esquema.

A empresa alvo da interdição atua na venda de celulares e acessórios. Ao todo, equipes fecharam quatro boxes no interior do Camelódromo. Outros pontos comerciais ligados ao mesmo grupo também foram alvo de medidas.

O presidente do Camelódromo, Narciso Soares dos Santos, afirmou que o funcionamento do centro comercial não será afetado após o término da operação. “A investigação já vinha sendo conduzida há algum tempo. Quatro boxes foram lacrados e, após a conclusão dos trabalhos, o Camelódromo abre normalmente a partir das 8h”, declarou.

Durante a ação, agentes recolheram mercadorias e equipamentos. Em alguns boxes, todos os produtos foram apreendidos. Em outros, foram levados itens como máquinas de cartão e aparelhos celulares.

Por conta da operação, trechos da Avenida Noroeste e da Rua Anhanduí foram temporariamente interditados.

A empresa foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até a última atualização. O espaço permanece aberto para manifestação.

Esquema envolvia transporte oculto e distribuição nacional

De acordo com a investigação, a organização criminosa era especializada na importação irregular de eletrônicos, sem documentação fiscal e sem passar pelos órgãos de controle aduaneiro.

Após a entrada ilegal no país, os produtos eram distribuídos para diferentes regiões, principalmente para cidades de Minas Gerais, muitas vezes ocultos em cargas lícitas ou fracionados para dificultar a fiscalização.

O grupo utilizava veículos adaptados com compartimentos escondidos para o transporte das mercadorias.

Treinamento ocorreu um dia antes da operação

Um detalhe que chamou atenção dos investigadores é que a empresa ligada à família realizou, na terça-feira (17), um treinamento com sua equipe de gerentes — apenas um dia antes da interdição das lojas. O encontro foi divulgado nas redes sociais.

Policiais são investigados e há prisões

A operação também atingiu unidades policiais. Delegacias em Campo Grande e no interior do Estado foram alvo de mandados judiciais.

Entre os cerca de 90 mandados expedidos pela Justiça Federal, dois foram cumpridos em delegacias. Um policial foi preso na Capital e outro em Sidrolândia.

Além de Mato Grosso do Sul, a operação também ocorre em Minas Gerais, nos municípios de Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros.

As investigações apontam que agentes públicos forneciam informações sigilosas obtidas em sistemas oficiais e, em alguns casos, participavam diretamente do transporte das cargas ilegais.

Bloqueios milionários e bens apreendidos

Ao todo, quatro pessoas foram presas preventivamente. Dois investigados foram afastados de suas funções públicas, enquanto outro passou a usar tornozeleira eletrônica.

Seis pessoas tiveram o porte de arma suspenso.

Também foram bloqueados cerca de R$ 40 milhões de 12 pessoas físicas e jurídicas. A Justiça determinou ainda o sequestro de ao menos 10 imóveis e 12 veículos, além da suspensão das atividades de seis empresas.

A operação contou com apoio das corregedorias da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.

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