Cartão do Mais Social foi usado antes de chegar às mãos de beneficiários em MS

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Uma suspeita de uso indevido do Cartão Mais Social levou um jovem de 25 anos a procurar a polícia em Anastácio, cidade localizada a 134 quilômetros de Campo Grande. Ele afirma que, ao receber o cartão do benefício nesta quinta-feira (12), descobriu que os valores já vinham sendo utilizados meses antes por outra pessoa.

Segundo o relato, o rapaz havia solicitado o benefício no início de 2025, mas o cartão só foi entregue recentemente. Ao verificar o extrato bancário, constatou que as movimentações começaram em agosto do ano passado.

Conforme o boletim de ocorrência, o jovem recebeu uma ligação de uma mulher que se apresentou como integrante da superintendência do Programa Mais Social. Durante a conversa, ela questionou se ele havia recebido o comprovante de entrega do cartão. Diante da negativa, orientou que ele procurasse uma agência do Banco do Brasil para emitir o extrato do benefício. Foi nesse momento que ele percebeu que o cartão já estava sendo utilizado.

O homem relatou ainda que recebeu orientações da própria superintendência por telefone e, após informar que o benefício poderia estar sendo usado por terceiros, foi orientado a registrar um boletim de ocorrência.

Enquanto formalizava a denúncia, um dos policiais chegou a entrar em contato com uma servidora do programa no município para solicitar o comprovante de entrega do cartão. No entanto, segundo o relato, a funcionária afirmou que o documento estaria com o beneficiário — o que foi negado por ele.

Outro caso semelhante também foi registrado na cidade. Uma idosa de 64 anos procurou a polícia após receber o Cartão Mais Social já ativo e com registros de uso.

De acordo com o relato, ela havia solicitado o benefício em agosto de 2025. Em janeiro de 2026, foi chamada por uma funcionária do setor responsável para comparecer novamente ao local para conferência de dados e documentos.

A demora na entrega do cartão levantou suspeitas, e a idosa decidiu pedir que uma advogada verificasse a situação do benefício. Foi então constatado que o cartão já estava ativo e havia sido utilizado.

Após perceber a irregularidade, a mulher voltou ao órgão responsável e conversou com a funcionária que havia realizado o atendimento. Segundo a vítima, a servidora teria mostrado uma quantia em dinheiro e oferecido o valor para que ela não levasse o caso adiante.

A idosa relatou ainda que a funcionária aparentava nervosismo e desespero durante a conversa. Ela acredita que o cartão possa ter sido utilizado indevidamente em seu nome e suspeita que o documento já estivesse no órgão há algum tempo.

Em outro momento, ainda conforme o relato, a servidora apresentou um termo de entrega do cartão e pediu que a idosa assinasse o documento como se tivesse recebido o benefício em 29 de janeiro de 2026. A vítima se recusou a assinar, afirmando que a informação não correspondia à realidade.

O Cartão Mais Social concede auxílio mensal de R$ 450, creditado diretamente em cartão próprio, que pode ser usado apenas para a compra de alimentos, gás de cozinha, produtos de limpeza e itens de higiene pessoal. O benefício é destinado a famílias inscritas e com cadastro atualizado no CadÚnico, com renda per capita de até meio salário mínimo.

Em nota, o Governo de Mato Grosso do Sul informou que abriu investigação interna e também apuração criminal para verificar possível fraude envolvendo servidores públicos na utilização dos cartões do programa. A administração estadual também confirmou a exoneração imediata de uma servidora inicialmente alvo da investigação.

Segundo o governo, outras medidas administrativas e de responsabilização poderão ser adotadas conforme o avanço das apurações. A gestão estadual afirma ainda que mantém fiscalização constante sobre o uso dos cartões para garantir que o benefício chegue às famílias em situação de vulnerabilidade.

Leia nota abaixo:

O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da SEAD (Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos), instaurou investigação interna, com abertura de Procedimento Administrativo, e também em âmbito criminal, já com início das diligências para inquérito policial, para apurar eventual fraude de servidores públicos na utilização de cartões do programa Mais Social. Já foi determinado, ainda, a imediata exoneração da servidora inicialmente alvo da investigação. Demais medidas punitivas e de responsabilização podem ser tomadas com avanço dos procedimentos apuratórios.

O Governo mantém fiscalização constante sobre a utilização dos cartões, com mecanismos de controle e monitoramento voltados a garantir que o benefício cumpra sua finalidade social, e repudia toda e qualquer ação que possa prejudicar famílias que necessitam do recurso. Ações de controle e verificação constante nos programas sociais integram os sistemas de controle não apenas na SEAD, como nas demais secretarias estaduais, nos 79 municípios atendidos pela política pública.

O Mais Social é um instrumento de assistência voltado ao apoio de famílias em situação de vulnerabilidade, e conta com uma rotina fiscalizatória que objetiva justamente assegurar que o benefício cumpra sua finalidade. O beneficiário recebe um auxílio financeiro mensal no valor de R$ 450, creditado em cartão próprio e de uso pessoal e intransferível.

O valor de R$ 450 creditado no cartão do Mais Social pode ser utilizado exclusivamente para a compra dos seguintes itens: alimentos, gás de cozinha e produtos de limpeza e de higiene. É proibida a aquisição de bebida alcoólica, produtos à base de tabaco ou outros indicados no regulamento específico do programa, o qual todo usuário tem acesso. O descumprimento das regras pode gerar pena de exclusão do beneficiário.

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