Em um cenário onde Mato Grosso do Sul frequentemente estampa as manchetes pelos altos índices de violência doméstica e feminicídio, surge uma iniciativa para mudar a narrativa do “nada acontece”. O 1º Congresso “Mulheres que Defendem Mulheres” será gratuito realizado com a missão de aproximar o sistema de justiça da população, combatendo a desinformação e provando, por meio de quem atua na ponta, que os mecanismos de proteção são ferramentas eficazes de sobrevivência.
Promovido pelo CPAA Instituto de Ensino, o evento se destaca por reunir exclusivamente mulheres especialistas que vivenciam diariamente o atendimento na Casa da Mulher Brasileira, na Delegacia Especializada (DEAM) e nos tribunais. Mais do que um encontro educativo, o congresso assume o papel vital de orientar advogados e advogadas que atuam na área. O objetivo é capacitar esses profissionais para que conheçam profundamente o funcionamento real da rede, tornando-os agentes de encorajamento para suas clientes. A organização pontua que, embora o sistema ainda enfrente desafios, ele é a ferramenta de proteção mais potente disponível, e o descrédito nas instituições apenas fragiliza a mulher que precisa de socorro imediato.
A diretora do CPAA Instituto de Ensino, Maria Carloto, ressalta que o congresso nasce para explicar como o sistema funciona. “Estamos indo na contramão do senso comum de que a proteção não chega para quem precisa; em Mato Grosso do Sul, temos profissionais qualificadas e protocolos que são referência nacional, e este congresso é um chamado à responsabilidade coletiva”.
Para ela, o papel do advogado é central nesse processo: “Queremos que a sociedade e os profissionais do Direito entendam que a justiça não é apenas um conceito distante, mas uma rede viva de mulheres protegendo outras mulheres. Quando o advogado conhece o sistema, ele não descredencia a ferramenta; ele fortalece a defesa. Quando a informação chega de forma clara, o medo diminui e a coragem de romper o ciclo aumenta. Usar esses mecanismos salva vidas, sim”, afirma.