Uma nova ocupação indígena teve início nesta segunda-feira (29) em uma área localizada às margens da BR-262, na Avenida Duque de Caxias, região do Polo Industrial Oeste, em Campo Grande. O movimento, que visa a fundação da Aldeia Minha Raiz, reúne famílias que buscam uma alternativa ao custo de vida na área urbana da Capital.
O líder do grupo, cacique Gideildo Jorge França Dias, informou que a área pertence à União e se encontra em estado de abandono há anos, servindo apenas para o acúmulo de entulho. Diferente de outras ocupações na região, esta iniciativa não está vinculada a processos de demarcação de terras tradicionais, mas sim à carência habitacional. Segundo o cacique, o objetivo principal é retirar 330 famílias indígenas da situação de aluguel.
A organização do local já começou com a demarcação dos lotes. Gideildo, que também é pastor, explicou que a ocupação será gradual para garantir a ordem comunitária. Ele destacou a dificuldade financeira enfrentada pelos moradores, ressaltando que muitos possuem renda mensal próxima a 1.250 reais, o que torna inviável o pagamento de aluguéis que chegam a 800 reais, além das despesas com água e energia elétrica. As famílias pretendem construir suas moradias por etapas, conforme a disponibilidade de recursos.
A Polícia Rodoviária Federal informou que já tomou conhecimento da ocupação e realiza o levantamento de informações para verificar a situação. A instituição esclareceu que a área possui características urbanas, mas ressaltou que, caso seja identificada qualquer situação que impacte a segurança viária, o fluxo de veículos ou a integridade da rodovia federal, adotará as medidas cabíveis em conjunto com outros órgãos competentes.
A Prefeitura de Campo Grande também foi procurada para informar se tinha conhecimento da situação e quais providências seriam tomadas. No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve resposta por parte do município. O espaço segue aberto para futuras manifestações das autoridades.