Execução na fronteira: líder Guarani Kaiowá é morto a tiros na Aldeia Taquaperi

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A execução de Lúcio Ximenes, vice-capitão da Aldeia Taquaperi e liderança do povo Guarani Kaiowá, expõe mais uma vez a vulnerabilidade extrema das comunidades indígenas nas zonas de fronteira. O crime, ocorrido na tarde deste domingo em Coronel Sapucaia, carrega as marcas da frieza: um motociclista se aproximou da vítima sob o pretexto de comprar combustível e disparou repetidamente, sem dar chances de defesa ao líder de 48 anos.

A investigação policial caminha por uma linha que causa revolta entre os indígenas. A suspeita recai sobre uma dívida irrisória de 400 reais com vendedores ambulantes paraguaios, referente à compra de eletrodomésticos. Se confirmada essa tese, o assassinato de uma liderança por um valor tão baixo revela o absoluto desprezo pela vida humana e a facilidade com que a violência armada se impõe no território rural de Mato Grosso do Sul.

O cenário encontrado pela perícia reflete a tensão local. A Polícia Civil relatou que o isolamento da área foi prejudicado pela grande quantidade de pessoas e pela comoção da comunidade, o que acelerou os procedimentos no local. Essa contaminação da cena do crime é um complicador a mais para a elucidação de um caso que já nasce sob a sombra da impunidade que frequentemente ronda os crimes em terras indígenas.

Em resposta ao ataque, o movimento Aty Guasu levantou a voz para classificar o episódio como um atentado direto contra a organização política dos povos tradicionais. Enquanto a polícia foca em questões financeiras banais, as lideranças cobram uma investigação profunda que garanta o respeito e a segurança do povo Guarani Kaiowá. O Estado Diário seguirá acompanhando os desdobramentos para saber se a justiça será feita ou se Lúcio Ximenes será apenas mais um número nas estatísticas de sangue da MS-289.

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