Policial do Garras admite desvio de mercadorias após ser preso em flagrante recebendo propina em Campo Grande

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Ao se justificar durante interrogatório Augusto Torres Galvão afirmou que não foi influenciado “Vou dizer que sou influenciado? Não. Acontece.” O policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, é integrante do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), e foi preso no momento em que recebia propina, a prisão em flagrante aconteceu na última sexta-feira (28).

Augusto e o ex-guarda municipal Marcelo Raimundo foram detidos pela Polícia Federal no momento em que realizavam o pagamento no estacionamento de um supermercado em Campo Grande.

Durante o interrogatório, o policial civil confessou que o dinheiro recebido era fruto da venda de produtos contrabandeados. Ele afirmou que as mercadorias desviadas vinham de apreensões realizadas com base em informações sobre carregamentos ilegais. Apesar de citar que outros policiais estariam envolvidos no esquema, se recusou a revelar nomes.

Ao comentar sobre a abordagem, Augusto alegou ter pensado que se tratava de um assalto. “Na hora, achei que era roubo. Por isso fiz menção de sacar a arma”, contou. Questionado se estava arrependido, respondeu: “Pra caramba. Não era ganância, ia ganhar uns R$ 5 mil, R$ 7 mil. A gente sabe que é errado.”

A Justiça Federal converteu a prisão em flagrante em preventiva no sábado (29) e determinou a quebra do sigilo telefônico do policial. A investigação teve início após denúncia anônima informando que uma mulher realizaria um saque bancário destinado ao pagamento da propina. A PF monitorou a transação e encontrou aproximadamente R$ 160 mil com Marcelo, que faria a entrega ao policial.

Augusto é casado com a ex-promotora Luciana Schenk, que foi diretora do Gacep (Grupo de Controle Externo da Atividade Policial) do MPMS. A prisão reacendeu debates sobre possíveis questões éticas, já que ela chefiou por anos investigações envolvendo abusos policiais. Luciana deixou o cargo em julho de 2024.

No depoimento, Marcelo admitiu que atua em esquemas de contrabando e descaminho e revelou usar tornozeleira eletrônica. Disse ainda que apenas seguia orientações para entregar o dinheiro ao policial. Já Augusto confirmou que os valores eram provenientes da venda de mercadorias contrabandeadas, muitas delas desviadas de apreensões.

Ambos poderão responder por corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Procurados, o MPMS, a Polícia Civil, a Sesdes e a Corregedoria-Geral foram questionados sobre o caso. Em nota divulgada nesta segunda-feira (1º), a Polícia Civil informou ter instaurado procedimento investigativo e aberto um PAD (Processo Administrativo Disciplinar).

A instituição reforçou que o caso envolve exclusivamente o policial investigado e não tem relação com a atuação do Garras. A Corregedoria conduzirá a apuração com independência e prioridade. A corporação destacou, ainda, que não tolera desvios de conduta e adotará todas as providências necessárias.

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