Tiago Paixão, o “Boy” do Jardim Tijuca, é preso novamente pelo Gaeco

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A Operação Blindagem, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na manhã desta sexta-feira (7), desarticulou uma organização criminosa ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e prendeu Tiago Paixão de Almeida, conhecido como “Boy”, apontado como líder do tráfico de drogas no bairro Jardim Tijuca, em Campo Grande. Entre os presos também estão uma advogada, um policial penal e um militar do Exército.

Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de prisão preventiva e 41 de busca e apreensão em diversas cidades de Mato Grosso do Sul — incluindo Campo Grande, Aquidauana, Sidrolândia, Jardim, Bonito, Ponta Porã e Corumbá — e em municípios de Santa Catarina e São Paulo, como Porto Belo, Balneário Piçarras, Itanhaém e Birigui.

Tiago foi localizado em um edifício na Travessa Ana Vani, no Jardim dos Estados, onde os agentes apreenderam documentos, armas, munições e dinheiro. O militar preso atuava como segurança particular de Tiago e de sua família, e em sua residência foram encontradas diversas armas, uma delas registrada como produto de roubo ou furto.

De acordo com as investigações, o grupo comandado por Tiago mantinha uma estrutura complexa para o tráfico interestadual de drogas, além de envolvimento com corrupção ativa e passiva, comércio ilegal de armas, usura e lavagem de dinheiro. A rede operava de dentro dos presídios e contava com colaboradores em várias cidades sul-mato-grossenses, além de conexões com integrantes do PCC em São Paulo e Santa Catarina.

Ainda conforme o Gaeco, o PCC dava suporte logístico e impunha punições violentas a quem tinha dívidas com o grupo, incluindo casos de extorsão e restrição de liberdade de vítimas.

O advogado de defesa, Luciano Calda dos Santos, informou que o processo corre em segredo de justiça e que ainda não teve acesso aos autos para conhecer a acusação completa. “Por enquanto ele segue preso preventivamente. Vamos analisar o processo para definir as medidas cabíveis”, declarou.

Tiago Paixão já havia sido denunciado pelo Ministério Público em 2023 por participação em um homicídio e duas tentativas de assassinato ocorridas em 2021, no Jardim Tijuca, mas acabou absolvido. Desde 2018, ele figura em investigações da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), que já haviam revelado a existência de laboratórios de drogas, imóveis de luxo e até um sistema de metas para revendedores — um modelo de gestão que imitava práticas corporativas dentro do crime.

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