A decisão da prefeitura de Campo Grande de solicitar ao Ministério da Saúde a prorrogação do prazo para colocar em operação as ambulâncias doadas ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) expõe um grave problema de gestão e uma aparente falta de respeito com o dinheiro público. Das 12 viaturas doadas entre dezembro de 2024 e abril de 2025, seis continuam encostadas, sem uso, por falta de pessoal e de recursos para a expansão das equipes.
Enquanto isso, a prefeitura mantém um contrato de locação de cinco ambulâncias, com custo mensal de R$ 71.476,25 — valor que poderia estar sendo economizado caso os veículos novos já estivessem em circulação. O caso é investigado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que apura possível desperdício de recursos e má gestão na administração da frota do Samu.
Segundo o Ministério da Saúde, a prefeitura pediu mais prazo alegando dificuldades em incluir os recursos necessários na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2025, em razão do curto tempo entre a entrega dos veículos e o fechamento do exercício orçamentário do ano. No entanto, a Portaria de Consolidação nº 6/2017 é clara ao determinar que o gestor municipal tem 90 dias, a partir do recebimento, para colocar as ambulâncias em operação. Caso o prazo não seja cumprido, o município corre o risco de ter que devolver os veículos e os recursos financeiros, com correção monetária.
Na prática, o pedido de prorrogação escancara a falta de planejamento da administração municipal e levanta questionamentos sobre as prioridades na aplicação dos recursos públicos. Enquanto ambulâncias novas permanecem paradas nos pátios, a população depende de uma frota alugada — paga com dinheiro que poderia ser direcionado a outras demandas urgentes da saúde.
Especialistas ouvidos por Estado Diário apontam que a situação representa não apenas um atraso operacional, mas também uma afronta ao princípio da eficiência na gestão pública. “Quando o município recebe equipamentos novos e não os utiliza por falta de planejamento, quem perde é o cidadão que espera por um atendimento rápido e de qualidade”, comentou um servidor da área da saúde que pediu anonimato.
A morosidade na utilização das ambulâncias doadas e o gasto simultâneo com locação reforçam a percepção de desperdício e descaso com o dinheiro público. Caso o Ministério da Saúde negue o pedido de prorrogação, a prefeitura ainda corre o risco de perder definitivamente as ambulâncias, o que agravaria ainda mais o prejuízo aos cofres municipais e à população.