A partir de segunda-feira (18), o Pronto Atendimento Médico (PAM) do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) não receberá mais demandas espontâneas. A medida, anunciada pelo secretário de Saúde Maurício Simões Corrêa, restringe o atendimento a apenas casos de urgência e emergência encaminhados pela Central de Regulação. Com isso, Campo Grande deixa de ter hospitais públicos “de portas abertas” para a população.
Segundo o secretário, a mudança busca otimizar o uso do HRMS, que é um hospital de alta complexidade. “Não tem cabimento atender um eventual transeunte com dor de barriga ou unha encravada”, explicou. Nesses casos, a orientação é que os pacientes procurem as Unidades de Saúde ou as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A nova política de atendimento segue o modelo já adotado pela Santa Casa, em 2017, e pelo Hospital Universitário, que também passaram a operar apenas com regulação.
A decisão faz parte da “Nova Arquitetura da Saúde”, um novo modelo de gestão para a rede pública estadual, apresentado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). O plano visa reorganizar o fluxo de pacientes, evitando a superlotação de hospitais de referência e garantindo que cada cidade tenha um nível de atendimento compatível com sua demanda. As mudanças incluem a regionalização da saúde em quatro macrorregiões e a especialização das unidades: cidades pequenas focarão na atenção primária, cidades médias na atenção secundária, e as grandes, como Campo Grande, em serviços de alta complexidade.
Apesar da disputa entre o governo do estado e a prefeitura sobre a gestão da regulação do SUS em Campo Grande, o secretário Maurício Simões afirmou que o governo estadual deseja ser copartícipe da regulação de urgência e emergência, reconhecendo a autoridade dos municípios. A SES informou que o plano de reorganização do PAM do HRMS está em execução, com investimentos de R$ 2,2 bilhões nos próximos dois anos.