Audiência revela detalhes de duplo feminicídio de Vanessa e a filha Sophie em Campo Grande

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A primeira audiência de instrução e julgamento do caso de duplo feminicídio de Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e sua filha Sophie Eugênia Borges, de 10 meses, trouxe à tona detalhes macabros do crime. O réu, João Augusto de Almeida, de 25 anos, participou da sessão e revelou a premeditação dos crimes.

A audiência começou com o depoimento de um adolescente de 17 anos que trabalhava com João Augusto. A testemunha, que pediu para o réu ser retirado da sala, afirmou que o acusado ofereceu o próprio carro como pagamento para que ele o ajudasse a ocultar e carbonizar os corpos de mãe e filha. “Uns quatro dias antes da morte, ele chegou a oferecer o carro como pagamento para eu ajudá-lo a queimar os corpos”, relatou o adolescente.

O jovem contou ainda que, dias antes do crime, João perguntou se ele conhecia alguém que poderia assassinar mãe e filha. “Ele chegou em mim e falou se conhecia alguém que fazia ‘corre’. Perguntei ‘Do quê?’. Ele disse ‘Para matar pessoa’. Falei que não”, declarou a testemunha.

Durante seu interrogatório, João Augusto negou ter problemas mentais e afirmou que cometeu o crime após um “acesso de raiva” motivado por um tapa de Vanessa. “Não tenho nenhum problema mental. Ela (Vanessa) me deu o tapa e eu perdi a cabeça”, disse. No entanto, o réu admitiu ter pensado em matar a companheira outras vezes e confirmou a premeditação dos crimes. “Tinha pensado, mas não queria colocar em prática. Eu tava me segurando, mas o tapa foi a faísca”, declarou.

Ele também contradisse seu depoimento inicial à polícia, no qual alegou que a motivação seria para evitar o pagamento de pensão. João Augusto disse não se lembrar de ter matado a filha e pediu perdão, mas afirmou que “não conseguia enxergar [a menina]com amor”.

A denúncia oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) contra João Augusto destaca a crueldade do crime. O MPMS classifica os motivos como “torpes”, alegando que ele matou a filha para não ter responsabilidades paternas e Vanessa por “ódio vingativo”.

O MPMS também solicitou indenização por danos morais para a família das vítimas, argumentando que a tragédia causou transtornos psíquicos e morais. As investigações à época do crime revelaram que os corpos de Vanessa e Sophie foram encontrados carbonizados após serem mortos por asfixia. Imagens de câmeras de segurança mostraram o carro de João, com os corpos, passando por uma estrada e, minutos depois, um clarão, indicando o momento em que os corpos foram incinerados.

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