Nos bastidores de Brasília, circula a versão de que os atos de rebeldia do deputado federal Marcos Pollon dentro do próprio partido não seriam isolados. Fontes afirmam que ele estaria sendo orientado por Eduardo Bolsonaro, seu amigo próximo e parceiro de longa data. A dupla defende que a direita precisa ocupar espaços com candidaturas próprias nos estados — uma estratégia para ampliar influência política fora do eixo Rio-São Paulo.
O governador Eduardo Riedel (PP), por sua vez, preferiu marcar presença em Bonito a ir a Brasília. Ele deixou de comparecer à reunião convocada pelo presidente Lula sobre os incêndios florestais que atingem os principais biomas do país — entre eles, o Pantanal sul-mato-grossense. Optou por prestigiar o 25º Encontro Regional do Congemas, o colegiado de gestores da assistência social. A ausência foi notada.
Na Assembleia Legislativa, o presidente Gerson Claro (PP) aproveitou a semana para reforçar o convite para a Corrida dos Poderes. Empolgado, disse estar treinando firme e se gabou de já percorrer 5 quilômetros em quase 30 minutos. Nos corredores, teve quem brincasse que, se dependesse do ritmo do presidente da Casa, a corrida política em MS seria de resistência — não de velocidade.
E Riedel voltou a instigar a curiosidade da imprensa ao falar sobre sua agenda na Ásia. Questionado sobre a reunião com a gigante Bracell, confirmou apenas a fábrica já anunciada em Bataguassu, mas não descartou outros empreendimentos — inclusive em Campo Grande. Preferiu o mistério: deixou no ar a possibilidade de novos investimentos, sem dar detalhes.
Na Alems (Assembleia Legislativa), o encerramento do Agosto Lilás, mês de enfrentamento à violência contra a mulher, deixou uma cena simbólica: apenas três deputados homens vestiram a camisa lilás do movimento — Renato Câmara (MDB), Antônio Vaz (Republicanos) e Rinaldo Modesto (Podemos). Enquanto isso, a maioria das assessoras e as três deputadas estaduais aderiram ao gesto. Nos corredores, não passou despercebido o contraste: o discurso é coletivo, mas o engajamento masculino ainda é minoria.
Enquanto isso, os números da violência contra a mulher seguem alarmantes em Mato Grosso do Sul. O Estado já soma 24 feminicídios apenas em 2025. Em contrapartida, o Tribunal de Justiça de MS foi reconhecido em Brasília por criar o Monitor da Violência contra a Mulher, uma plataforma que registra em tempo real os casos no Estado. A ferramenta foi considerada “boa prática” do Judiciário. O paradoxo chama atenção: MS é premiado por mapear a tragédia, não por combatê-la.